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Sonho da casa própria na Alemanha fica mais distante em 2026, apontam estudos

Preços elevados, menor acessibilidade, exigência de alto capital próprio e juros em alta dificultam o acesso à moradia, especialmente para os mais jovens. Segundo especialistas ouvidos pela imprensa alemã, o cenário tende a piorar em 2026.
Sonho da casa própria na Alemanha fica mais distante em 2026, apontam estudosGettyimages.ru / Sebastian Kahnert/picture alliance

O sonho da casa própria na Alemanha deve se tornar ainda mais difícil em 2026, segundo estudos de institutos econômicos e entidades do setor imobiliário, informou o jornal local Welt nesta sexta-feira (2).

Especialistas apontaram que a combinação de preços elevados, queda na acessibilidade, aumento das exigências de capital próprio e tendência de alta nos juros segue afastando compradores, especialmente os mais jovens.

Segundo o jornal, um levantamento do Instituto Alemão de Economia (IW Köln), com base na pesquisa "Vivendo na Alemanha 2025", mostra que cerca de três em cada quatro alemães gostariam de viver em um imóvel próprio.

Dados da associação do setor imobiliário IVD indicam que 67% dos inquilinos prefeririam migrar para a casa própria.

De acordo com estudo do IW Köln, a acessibilidade à compra de imóveis caiu entre outubro de 2024 e outubro de 2025, sobretudo nas grandes cidades, onde a demanda permanece elevada. A análise considerou a relação entre preços locais e renda média.

"Em várias metrópoles, os preços voltaram a subir ou se mantêm em patamares altos, enquanto os aumentos de renda, somados a juros um pouco mais elevados, não compensaram essa evolução", afirmaram os economistas do instituto.

Além da prestação mensal, o alto capital inicial exigido é apontado como um dos maiores obstáculos. Um estudo do Instituto de Kiel para Economia Mundial (IfW) destacou ao Welt que, embora os custos de financiamento tenham se mantido relativamente estáveis ao longo das décadas, o volume de capital próprio necessário cresceu de forma significativa.

Capital próprio

Segundo o IfW, compradores precisam arcar com mais de 10% do valor do imóvel apenas em custos adicionais, como imposto de transferência, corretagem, taxas de cartório e registro.

"O acesso à propriedade depende cada vez mais do patrimônio já existente", avaliam os pesquisadores, ressaltando que gerações mais jovens precisam economizar por muito mais tempo para atingir o valor exigido.

Outro fator de pressão são os juros. Especialistas do intermediador de crédito Interhyp observaram, no fim de 2025, uma leve elevação nas taxas de financiamento imobiliário.

"Os compradores devem se preparar para um nível de juros mais alto", informou a empresa, que atribui a tendência ao maior volume de endividamento público e à ampliação da emissão de títulos a partir de 2026.

Segundo a Interhyp, cerca de 67% dos especialistas consultados esperam aumento dos juros nos próximos meses, enquanto 33% projetam estabilidade. Nenhum deles prevê queda.