O governo de Israel acusou na quinta-feira (1º) o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de antissemitismo após a revogação de duas ordens executivas relacionadas a Israel, no primeiro dia de mandato.
Segundo informou o jornal The New York Times nesta sexta-feira (2), as medidas, assinadas pelo ex-prefeito Eric Adams, proibiam agências municipais de boicotar Israel e incorporavam uma definição ampla de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA).
"Logo no seu primeiro dia como prefeito de Nova York, Mamdani mostra a sua verdadeira face: ele descarta a definição de antissemitismo da IHRA e levanta as restrições ao boicote a Israel. Isso não é liderança. É gasolina antissemita em fogo aberto", escreveu o Ministério das Relações Exteriores de Israel em publicação na rede social X.
De acordo com o jornal, as ordens revogadas estavam entre um conjunto de atos administrativos alterados pelo novo prefeito. Uma delas havia sido assinada menos de um mês antes da revogação; a outra, em junho de 2025, formalizava a definição da IHRA, que inclui exemplos que relacionam críticas a Israel ao antissemitismo.
A assessoria de Mamdani informou ao jornal norte-americano que o prefeito se pronunciaria posteriormente. Em coletiva anterior, ele reiterou o compromisso com a segurança da comunidade judaica e citou a "manutenção do Escritório de Combate ao Antissemitismo".
Organizações civis e judaicas reagiram de forma diversa. A diretora-executiva da União de Liberdades Civis de Nova York (NYCLU), Donna Lieberman, disse ao NYT que as ordens tinham "efeito inibidor sobre a liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda [da Constituição]".
Já a New York Jewish Agenda afirmou não haver consenso sobre a necessidade de codificar a definição da IHRA em atos executivos.