
Dinamarca promete se manter firme contra plano de Trump para a Groenlândia e anuncia reforço militar

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, alertou que o país está ampliando sua capacidade militar enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, continua ameaçando assumir o controle da Groenlândia.

"Estamos totalmente empenhados em fortalecer a defesa e a prontidão da Dinamarca. Nunca antes havíamos aumentado nossas capacidades de forma tão significativa, tão rápida. […] Também estamos trabalhando para reforçar a segurança no Ártico", disse Frederiksen em seu discurso de Ano Novo.
No mesmo contexto, a líder dinamarquesa afirmou que, ao longo de 2025, o país foi alvo de "ameaças, pressões e linguagem desrespeitosa", vindas "do nosso aliado mais próximo por gerações", relacionadas "ao desejo de se apoderar de outro país, de outro povo, como se isso fosse algo que pudesse ser comprado e possuído".
"Isso não tem lugar em lugar nenhum. Cumprimos nossas responsabilidades no mundo. Não somos nós que buscamos conflito. Mas que ninguém tenha dúvidas: aconteça o que acontecer, vamos nos manter firmes sobre o que é certo e o que não é", declarou a chefe de governo.
Como tudo começou?
O estopim do escândalo foi a decisão de Donald Trump de nomear Jeff Landry como "enviado especial para a Groenlândia", anunciada no domingo, 21 de dezembro de 2025.
Landry, atual governador da Louisiana, agradeceu ao presidente e declarou: "É uma honra servi-lo neste cargo voluntário para tornar a Groenlândia parte dos Estados Unidos".
Na publicação sobre a nomeação do enviado especial, o presidente norte-americano afirmou que o governador "compreende a importância da Groenlândia para a nossa segurança nacional e promoverá firmemente os interesses do nosso país para a segurança, proteção e sobrevivência dos nossos aliados e, de fato, do mundo".
Europa em pânico
A decisão causou profunda preocupação entre as autoridades dinamarquesas. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e seu colega groenlandês, Jens-Frederik Nielsen, reiteraram que as fronteiras nacionais e a soberania dos Estados estão enraizadas no direito internacional. "São princípios fundamentais. Não se pode anexar outro país, nem mesmo sob o argumento da segurança internacional", enfatizaram.
"A Groenlândia pertence aos groenlandeses e os EUA não assumirão o controle da Groenlândia [...]. Esperamos respeito pela nossa integridade territorial conjunta", acrescentaram no comunicado enviado por e-mail pelo Gabinete de Frederiksen.

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, insistiu que todos devem mostrar respeito pela integridade territorial de seu país, enquanto a mídia local divulgou que Rasmussen planeja convocar o embaixador dos EUA na Dinamarca.
O alto escalão da União Europeia também se pronunciaram. Diante da situação, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que os líderes do bloco continuam "solidários com a Dinamarca e a Groenlândia". "A Groenlândia é um território autônomo do Reino da Dinamarca. Qualquer mudança em seu status é de competência exclusiva dos groenlandeses e dinamarqueses", escreveu a alta funcionária no X.
"Esperamos que todos os nossos parceiros respeitem sua soberania e integridade territorial e cumpram seus compromissos internacionais, consagrados, entre outros, na Carta das Nações Unidas e no Tratado do Atlântico Norte", afirmou.
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