
Maduro comenta suposto ataque terrestre dos EUA na Venezuela

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, comentou nesta sexta-feira (pela primeira vez) o suposto ataque que os Estados Unidos teriam realizado em território venezuelano.

Questionado sobre o anúncio feito nesta semana pelo presidente norte-americano, Donald Trump, a respeito de um ataque dos EUA contra uma área portuária na Venezuela que seria usado, segundo ele, para o narcotráfico, Maduro disse que falará sobre o tema "dentro de alguns dias". Ainda assim, afirmou que "o sistema defensivo nacional, que combina a força popular, militar e policial, garantiu e garante a integridade territorial, a paz do país e o uso e aproveitamento de todo o nosso território". "Nosso povo está seguro e em paz", enfatizou.
Na última segunda-feira, Trump declarou a jornalistas que "houve uma grande explosão na área portuária onde carregam os navios com drogas". "Eles carregam os navios com drogas, então atingimos todos os navios e agora atingimos a área. É a área de operação, é ali que operam, e isso já não existe", afirmou.
O republicano mencionou a ação pela primeira vez há uma semana, na sexta-feira passada, em uma entrevista a uma rádio, quando disse que haviam atacado "uma grande instalação de onde saem os navios" "duas noites antes". A declaração gerou especulações sobre se o alvo teria sido uma instalação da empresa química Primazol, em Maracaibo, no estado de Zulia, onde um incêndio foi registrado na madrugada de 24 de dezembro. A empresa, no entanto, negou os rumores e afirmou que o fogo foi causado por um "acidente elétrico" no sistema de cabeamento de seu armazém.
Agressões dos EUA
- Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
- Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
- Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
- Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional.

