
Lukashenko sobre ataque contra casa de Putin: Kiev usa 'terrorismo' para sabotar negociações de paz

O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, afirmou nesta quarta-feira (31) que o ataque com drones à residência do presidente da Rússia, Vladimir Putin, na região de Novgorod, pode ter tido como objetivo interromper o processo de negociações de paz sobre o conflito ucraniano. A declaração aconteceu em coletiva de imprensa, informou, a agência Belta.

Segundo Lukashenko, o ataque foi uma tentativa de provocar uma reação mais dura da Rússia em um momento que, segundo ele, a paz está "ao alcance".
"Talvez quisessem provocar Putin num momento em que a paz já estava próxima, para desestabilizar o processo de negociação", disse.
Ele acrescentou que não observou nenhuma escalada imediata por parte do presidente russo após o episódio. Segundo o presidente, Putin rejeitou categoricamente atacar posições de comando do regime de Kiev porque acredita no diálogo para chegar a um acordo.
'Terrorismo no mais alto nível'
O mandatário belarusso classificou o ataque como "terrorismo selvagem no mais alto nível do governo". Lukashenko também questionou a utilidade militar da ação e afirmou que ela não tem impacto no campo de batalha.
"Isso não levaria a nada. É um fato", declarou.
Lukashenko afirmou ainda que situações envolvendo ataques diretos a chefes de Estado são raras e, segundo ele, "nunca acontecem sem aprovação de níveis elevados".
O presidente ressaltou que a Rússia tem plena capacidade de atingir centros de decisão ucranianos, mas reforçou que o caminho, em sua avaliação, deveria ser o da negociação.
Apelo por acordo
Lukashenko fez críticas diretas ao líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky, afirmando que ele "não deveria seguir esse caminho" e que a Ucrânia já sofreu graves consequências com o conflito.
"Precisamos parar e finalmente chegar a um acordo de paz no próximo ano", afirmou.
O presidente também mencionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo esperar "sinceridade" em eventuais esforços internacionais por um acordo, e levantou suspeitas sobre a atuação de países ocidentais, especialmente os europeus, nas tratativas de paz.
Entenda:
No dia 29 de dezembro, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, revelou que o regime de Kiev lançou um ataque terrorista com mais de 90 veículos aéreos não tripulados de longo alcance contra a residência oficial do presidente russo.
Segundo o chanceler, o ataque ocorreu na noite de 28 para 29 de dezembro. Ele detalhou que todos os projéteis foram derrubados pelos sistemas de defesa antiaérea e que não há informações sobre vítimas ou danos.
Vladimir Putin e Donald Trump mantiveram na segunda-feira (28) uma nova conversa telefônica. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, descreveu o diálogo como ''positivo''.

