Trump afirma que EUA atacaram uma 'zona de docas' na Venezuela

Se confirmado, seria o primeiro ataque por terra dos EUA contra a Venezuela.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (29) que seu país atingiu uma "zona de docas" na Venezuela.

"Houve uma grande explosão na zona de docas" na Venezuela; "atingimos a área de implantação (onde são realizadas as operações de carga e descarga)", declarou o mandatário durante um encontro com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em sua mansão em Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.

Segundo Trump, o ataque ocorreu após a apreensão de navios petroleiros no Caribe: "Atingimos todos os navios, e agora atingimos a zona", declarou.

A Venezuela classificou como "roubo" e "pirataria" a interceptação dos cargueiros por parte dos EUA. O país também denunciou os bombardeios norte-americanos contra pequenas embarcações no Caribe como "execuções extrajudiciais", já que não foram apresentadas provas de que as vítimas fatais tivessem relação com o tráfico de drogas.

De acordo com a breve explicação do presidente norte-americano, sem apresentar qualquer prova, a área atingida na Venezuela seria o local onde, supostamente, os navios eram "carregados com drogas".

Se a afirmação de Trump for verdadeira, esse seria o primeiro ataque direto contra o território venezuelano. No entanto, até o momento não há qualquer confirmação oficial de Caracas sobre essa suposta agressão.

''Grande instalação''

Anteriormente, em uma entrevista a uma rádio, citada pelo The New York Times, o presidente dos EUA afirmou que Washington havia destruído uma "grande instalação" em sua campanha contra a Venezuela na semana passada, embora não tenha fornecido mais detalhes.

"Eles têm uma grande planta ou uma grande instalação de onde partem os navios (...) há duas noites nós a destruímos", declarou o mandatário, sem dar maiores explicações.

Agressões dos EUA

Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.

Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.

Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.

Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.

Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como RússiaColômbiaMéxico e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional.