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Itália investiga esquema de cidadania que beneficiou mais de 80 brasileiros

Fraude envolveria uso de endereços fictícios, cobrança de até 6.500 euros (R$ 41,3 mil) e participação de servidores municipais em cidade do norte do país.
Itália investiga esquema de cidadania que beneficiou mais de 80 brasileirosGettyimages.ru / FG Trade

O Ministério Público da Itália investiga o reconhecimento da cidadania italiana concedido a 83 brasileiros entre 2018 e 2024 em Moggio Udinese, cidade com aproximadamente 1.600 habitantes norte do país, publicou a Folha de S.Paulo no domingo (28).

Segundo as autoridades, os beneficiados obtiveram o status de residentes no município de maneira irregular.

Uma notificação da Promotoria aos investigados, à qual o veículo teve acesso, aponta que dois imóveis, um em Via Abbazia e outro na Via Traversigne, próximos à prefeitura foram usados como endereços fictícios para registrar descendentes brasileiros que, na prática, nunca viveram na cidade.

A prática garantia "o requisito legal necessário para a inscrição nos registros da população residente e, consequentemente, para o sucessivo pedido e obtenção do status de cidadão italiano iure sanguinis [direito de sangue]" para eles e seus filhos menores de idade, esclarece o documento.

Brasileiro indiciado

Seis pessoas foram formalmente indiciadas após serem apontadas como integrantes do grupo que "comprovava falsamente a existência". Entre elas, quatro funcionários da prefeitura, uma mulher de origem albanesa e o único brasileiro investigado, Sergio Luiz Garana. Ele é apontado como proprietário de um dos imóveis usados como endereço fictício e como um dos responsáveis por coordenar a documentação apresentada aos beneficiados.

Segundo o Ministério Público, os brasileiros que obtiveram a cidadania permaneceram apenas alguns dias na cidade, em visitas que duravam entre dois e cinco dias, e nem todos chegaram a ir pessoalmente a Moggio Udinese. O documento aponta que, nesse período, eles teriam pago cerca de 6.500 euros (R$ 41,3 mil) para obter a cidadania, incluindo a simulação do título de residência.

Segundo apuração da Folha de S. Paulo, entre os beneficiados, 19 brasileiros parecem pertencer à mesma família, todos com sobrenome Floresi ou Florezi. São três gerações, com idades que vão de 6 a 71 anos.