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Será que um 'parceiro virtual' de IA pode aliviar solidão?

Enquanto chatbots oferecem companhia e aliviam ansiedade, especialistas alertam para riscos de dependência, relacionamentos idealizados e exploração comercial da solidão.
Será que um 'parceiro virtual' de IA pode aliviar solidão?Imagem criada por inteligência artificial

Diante da "epidemia de solidão", surgiram pesquisas sugerindo que a inteligência artificial estaria ajudando a aliviar esse problema, e não apenas como uma distração superficial, afirma Justin Gregg, o autor de uma coluna publicada no The Guardian no domingo (28). 

Alguns estudos citados por ele mostraram que conversar regularmente com uma IA reduziu os sintomas de ansiedade em 30% em alguns usuários.

Segundo a OMS, uma em cada seis pessoas sofre de solidão intensa, com impactos significativos na saúde e no bem-estar. A solidão está ligada a cerca de 100 mortes por hora — mais de 871 mil mortes por ano.

"Nossa ansiedade coletiva foi agravada por estudos que mostram que os jovens estão cada vez mais aceitando a ideia de relacionamentos com IA; metade dos adolescentes conversa com um assistente virtual pelo menos algumas vezes por mês, e um em cada três considera as conversas com IA 'tão satisfatórias ou mais satisfatórias do que aquelas com amigos da vida real'", disse o autor.

Ele destaca que para muitas pessoas, um chatbot de IA é a única opção de amizade disponível, por mais superficial que possa parecer. Por outro lado, Gregg afirmou que "há quem argumente que a ascensão das novas tecnologias e das mídias sociais contribuiu para o aumento da solidão".

Riscos de dependência e relacionamentos idealizados

O autor do artigo mencionou alertas de especialistas apontando para riscos óbvios. Um deles é a possibilidade de desenvolver dependência emocional em relação a sistemas controlados por empresas privadas que coletam dados íntimos e podem alterar as regras do serviço ou cancelá-lo sem o consentimento do usuário.

Muitos dos parceiros de IA são projetados para responder afirmativamente quase sempre, evitar conflitos e se adaptar completamente ao usuário. Segundo especialistas, isso pode fomentar uma visão distorcida dos relacionamentos humanos, já que não há discordâncias ou limites, o que complicaria a convivência com pessoas reais que têm suas próprias necessidades e opiniões.

O artigo menciona que uma parcela significativa dos aplicativos mais populares é voltada para homens que buscam namoradas virtuais, levando alguns acadêmicos a discutir a perpetuação de fantasias sexistas e dinâmicas de poder desequilibradas.

Também foram levantadas preocupações de que empresas de tecnologia possam monetizar a solidão, criando produtos que exploram a necessidade de companhia sem garantir proteção de dados adequada ou suporte em crises reais.