Notícias

Comida podre e milhões em jogo: autoridades investigam corrupção em sistema prisional argentino

Denúncias apontam comida estragada, presença de bactérias e esquema milionário no presídio de Ezeiza.
Comida podre e milhões em jogo: autoridades investigam corrupção em sistema prisional argentinoGettyimages.ru / Anadolu / Contributor

A Justiça argentina investiga a existência de uma suposta máfia interna responsável pelo fornecimento de alimentos na prisão federal de Ezeiza, informou o portal ANDigital no domingo (28). Denúncias feitas por detentos e familiares relatam comida estragada, presença de bactérias e um esquema que movimentaria milhões de dólares por ano, revelando um sistema de corrupção profundamente enraizado no serviço penitenciário.

Os relatos descrevem condições alarmantes, incluindo refeições com cabelos, pregos, baratas e carne em estado de decomposição, servidas em porções mínimas a cerca de 2 mil detentos. Investigadores estimam que o esquema ilegal movimente aproximadamente US$ 25 milhões por ano (cerca de R$ 140 milhões). Cada refeição seria faturada em cerca de 17 mil pesos argentinos (aproximadamente R$ 65), o que resultaria em um volume diário superior a 100 milhões de pesos (cerca de R$ 380 mil).

A empresa Food Rush, inicialmente responsável pelo serviço de alimentação, foi substituída em 2024 após pressão judicial. No entanto, o juiz federal Federico Villena suspeita que a companhia continue operando por meio de empresas "fantasma", como Biolimp e Q-Chef, que compartilhariam funcionários, endereços e veículos. Laudos da ANMAT confirmaram que as refeições continham bactérias perigosas, como Escherichia coli, e não eram adequadas para consumo humano.

No centro das investigações está Fernando Martínez, diretor do Serviço Penitenciário Federal, cujo gabinete foi alvo de mandado de busca. O caso expõe a realidade do sistema prisional argentino, marcada por alimentação inadequada, falhas de controle e corrupção sistêmica, em violação a direitos humanos básicos e transformando a subsistência dos detentos em um negócio ilegal altamente lucrativo.