
Lavrov alerta Japão sobre 'militarização acelerada' e impactos na segurança regional

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, alertou neste domingo (28) para o que classificou como uma "militarização acelerada" do Japão, afirmando que esse movimento provoca efeitos negativos sobre a estabilidade regional.
"Nos últimos tempos, os líderes japoneses adotaram realmente um rumo em direção à militarização acelerada do país. A influência perniciosa desse enfoque sobre a estabilidade regional é evidente", afirmou Lavrov.
O chanceler também advertiu que o governo japonês deveria "considerar tudo cuidadosamente antes de tomar decisões precipitadas".

Disputa sobre Taiwan
Lavrov também abordou a questão de Taiwan, classificando a ilha como uma "ferramenta de contenção militar e estratégica" contra a China. Segundo ele, alguns países declaram apoio ao princípio de "uma só China", mas, na prática, defendem a manutenção do status quo em Taiwan.
O ministro afirmou ainda que há um "interesse mercantil" do Ocidente na ilha, ao se beneficiar de recursos financeiros e tecnológicos e vender armamentos norte-americanos a preços de mercado.
"A Rússia reconhece Taiwan como parte inalienável da China, se opõe a qualquer forma de independência da ilha e considera a questão um assunto interno da República Popular da China", declarou.
Orçamento militar recorde
Na sexta-feira (26), o governo japonês aprovou um orçamento de defesa recorde, superior a 9 trilhões de ienes (58 bilhões de dólares) para o próximo ano.
"Atribuímos o maior orçamento da história", declarou o ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi. Em relação a 2025, o gasto militar aumentará 9,4%.
As tensões entre China e Japão se intensificaram em novembro, após a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmar que Tóquio respondá caso Pequim desloque forças militares para Taiwan.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da China pediu cautela.
"Instamos o Japão a refletir profundamente sobre seus crimes passados, a interromper imediatamente suas provocações e a evitar brincar com fogo na questão de Taiwan", disse.
Pequim também advertiu que uma eventual intervenção militar japonesa no Estreito de Taiwan seria considerada "um ato de agressão", ao qual a China responderia "com firmeza".

