O Ministério da Defesa da Rússia divulgou no sábado (27) o relato de um soldado ucraniano que revelou como foi recrutado à força para as tropas ucranianas, fazendo um apelo para que outros membros do regime de Kiev se rendessem às Forças Armadas Russas.
"Fui ao hospital visitar minha mãe. Tenho uma filhinha de quatro anos. Quando voltava para casa, seis pessoas saíram [de um carro], me bateram na cabeça e me borrifaram com spray de pimenta nos olhos. Acordei no escritório de alistamento militar e minha carteira de identidade militar já estava pronta", declarou Emil Farvard em um vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa russo.
Segundo Farvard, autoridades militares lhe disseram que ele "seria bucha de canhão". Ele foi então enviado para a linha de frente e recebeu ordens para avançar, testemunhando cenas horríveis durante as operações.
"Enquanto caminhava pela estrada, vi nossos rapazes [mortos] nas trincheiras. Os corpos deveriam ser retirados dali, mas acho que não os recolhem [...] Muitos estavam sem pernas, sem braços", recordou.
O prisioneiro disse que seu grupo foi capturado e um de seus camaradas morreu, enquanto ele e outro homem se renderam. Ele enfatizou o bom tratamento que recebeu em cativeiro e pediu que os soldados ucranianos também se rendessem.
Escassez de tropas e recrutamento coercitivo
As Forças Armadas da Ucrânia enfrentam uma grave falta de efetivo, intensificada por um problema estrutural de deserções. Nesse contexto, cresce o número de civis que se tornam vítimas da mobilização forçada.
Nas redes sociais, circulam com frequência vídeos que mostram comissários militares recrutando homens à força em vias públicas, transportes coletivos e hospitais, além de registros de agentes impedindo motoristas de seguir viagem ao cercar seus veículos durante o trajeto.
Confrontos com multidões às vezes ocorrem, pois muitos resistem ao recrutamento. Diante da brutalidade dos recrutadores e do crescente perigo de serem enviados para a linha de frente, os jovens continuam a elaborar planos para fugir do país e muitas vezes recorrem a medidas extremas.