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Congresso argentino aprova primeiro orçamento do governo Milei

Texto para 2026 reafirma meta de equilíbrio fiscal e projeta inflação de 10,1%. Nas redes sociais, o presidente da Argentina classificou a decisão como um "evento histórico".
Congresso argentino aprova primeiro orçamento do governo MileiGettyimages.ru / Tomas Cuesta

O Senado da Argentina aprovou na sexta-feira (26) o primeiro projeto de orçamento do governo do presidente Javier Milei. A proposta para 2026 já havia passado pela Câmara dos Deputados e recebeu aval final por 46 votos a 25, com uma abstenção, após mais de oito horas de debate, informou a mídia local.

O texto prevê inflação de 10,1%, crescimento do PIB de 5% e reafirma a meta de equilíbrio fiscal, considerada a principal âncora da política econômica do governo. Durante a sessão, parlamentares da base destacaram o compromisso com o controle das contas públicas.

Ao abrir o debate, o senador governista Ezequiel Atauche afirmou: "Não vamos gastar mais do que arrecadamos, vamos colocar nossas contas em ordem". Já a senadora Patricia Bullrich, líder do bloco governista no Senado, declarou que "o déficit zero não se negocia: é a linha vermelha que separa o futuro do desastre".

Críticas da oposição

Um dos capítulos mais debatidos foi o que elimina pisos mínimos de financiamento para áreas como educação, ciência e defesa, além de estabelecer novas exigências administrativas para que universidades tenham acesso a transferências de recursos. A oposição criticou o conteúdo e a tramitação do projeto.

O senador opositor José Mayans classificou a votação como "tratamento expresso" e afirmou que o orçamento "está totalmente desatualizado". Em discurso no plenário, declarou: "Quando forem dormir hoje, digam aos seus filhos: 'Estou feliz porque destruí o sistema de ensino'".

Bullrich, então, rebateu as críticas.

"Não estamos ajustando aos que têm menos. Estamos instalando a liberdade", disse.

Até a aprovação do novo texto, o governo Milei vinha operando com o orçamento prorrogado de 2023, apesar do impacto da inflação acumulada nos últimos anos, 211% em 2023, 118% em 2024 e quase 30% até o momento em 2025, o que resultou, segundo o próprio texto, em desfinanciamento de áreas como ciência, saúde e educação.

Em publicação na rede social X, o presidente classificou a aprovação como um "evento histórico" e afirmou que "em 2026 inicia a reconstrução da Nação Argentina".