Presidente da Somália critica Netanyahu por interferência em assuntos internos

Hassan Sheikh Mohamud afirma que decisão israelense viola o direito internacional e afronta normas diplomáticas.

O presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, condenou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por reconhecer parte do norte do território somali como uma região separada. Em publicação nas redes sociais, neste sábado (27), Mohamud afirmou que a medida representa uma "agressão ilegal" e uma violação do direito internacional.

"A agressão ilegal do primeiro-ministro Netanyahu ao reconhecer uma parte da região norte da Somália é contrária ao direito internacional. Interferir nos assuntos internos da Somália é contrário às normas legais e diplomáticas estabelecidas. A Somália e seu povo são um só: inseparáveis, mesmo à distância", escreveu o presidente somali em seu perfil oficial.

Anteriormente, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que seu país havia reconhecido a Somalilândia como um Estado independente e soberano, tornando-se a primeira nação do mundo a fazê-lo.

"O Estado de Israel planeja expandir imediatamente suas relações com a República da Somalilândia por meio de ampla cooperação nas áreas de agricultura, saúde, tecnologia e economia", escreveu ele em uma publicação na rede social X.

Segundo o primeiro-ministro, a medida está em consonância com o "espírito" dos Acordos de Abraão, firmados sob a iniciativa do presidente Donald Trump. Ele também indicou que a declaração foi assinada em conjunto com o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, e o líder da Somalilândia, Abdirahman Mohamed Abdullahi.

Apesar de manter governo próprio desde a década de 1990, a Somalilândia não é reconhecida oficialmente como Estado soberano pela Organização das Nações Unidas (ONU) nem pela União Africana.

Autoridades somalis interpretaram o gesto como uma tentativa de enfraquecer a soberania territorial do país e alertaram para os riscos de abrir precedentes a movimentos separatistas. Segundo Hassan Sheikh Mohamud, qualquer reconhecimento externo à unidade da Somália "fere diretamente a integridade territorial e a vontade do povo somali".