Rutte diz que União Europeia não deve agir como alternativa à OTAN

Secretário-geral afirmou que o bloco europeu representa apenas parte do peso econômico e militar da aliança e defendeu maior investimento em defesa.

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, afirmou nesta sexta-feira (26) que a União Europeia (UE) não deve atuar como uma alternativa à aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Em entrevista à agência alemã dpa, ele disse que uma iniciativa nesse sentido poderia prejudicar o próprio bloco europeu e reforçou a necessidade de os países europeus aumentarem seus gastos militares.

Segundo a publicação, a declaração foi feita em resposta a falas de Manfred Weber, líder do Partido Popular Europeu (PPE), maior grupo do Parlamento Europeu, que defendeu, no fim de novembro, a criação de uma espécie de "OTAN europeia".

Na sexta-feira, Weber voltou a afirmar que Bruxelas deveria "agir com confiança" e "escrever sua própria estratégia de segurança", criticando o que chamou de dependência excessiva de diretrizes vindas de Washington.

Questionado sobre essa posição, Rutte alertou que "há mais do que a UE" quando se trata da OTAN. Segundo ele, os países da União Europeia representam cerca de um quarto da produção econômica total da aliança. O secretário-geral destacou que a principal expectativa dos Estados Unidos em relação aos aliados europeus é o aumento dos investimentos em defesa, com "a Europa assumindo mais responsabilidade".

Em junho, durante uma cúpula da OTAN realizada em Haia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou os membros da aliança a se comprometerem a gastar 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa até 2035. A proposta encontrou resistência em alguns países, como Eslováquia e Espanha. Madri classificou a meta como "absolutamente impossível", o que levou Trump a ameaçar a imposição de tarifas em caso de descumprimento.

Conflito na Ucrânia

As divergências entre Bruxelas e Washington também se estendem à condução do conflito na Ucrânia. Em novembro, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, afirmou que a União Europeia está dificultando esforços de paz liderados pelos Estados Unidos e "planejando a guerra".

A Rússia, por sua vez, sustenta que o conflito é uma guerra por procuração da OTAN, motivada pela expansão do bloco em direção ao leste. Em 19 de dezembro, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou, durante uma sessão de perguntas e respostas, que Moscou não pretende confrontar a aliança enquanto seus interesses forem respeitados.

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