Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, começou a ser trazido de volta ao Brasil nesta sexta-feira (26), após ser expulso do Paraguai por uso de documentos falsificados.
Segundo autoridades locais ouvidas pela TV Globo, ele havia tentado embarcar para El Salvador com passaporte e identidade paraguaios forjados. O retorno ao território brasileiro será feito por via terrestre, com destino final previsto em Brasília.
No momento da abordagem no setor de imigração, Silvinei apresentou passaporte e cédula de identidade paraguaios em nome de "Julio Eduardo", mas os agentes notaram inconsistências na numeração e nas impressões digitais. Ao ser questionado, ele confessou que os documentos não eram legítimos.
Além dos documentos falsos, Silvinei carregava uma carta escrita em espanhol, supostamente destinada a autoridades aeroportuárias.
A carta foi obtida pelo portal UOL e alegava que o portador sofria de Glioblastoma Multiforme – Grau IV, um tipo de câncer cerebral agressivo. No texto, afirmava que, por causa da doença, não falava nem ouvia e que só poderia se comunicar por escrito.
A carta também dizia que ele havia realizado sessões de radioterapia e quimioterapia em Foz do Iguaçu e que a viagem até San Salvador, capital de El Salvador, tinha o objetivo exclusivo de continuar o tratamento médico. O voo estava marcado pela companhia Copa Airlines, com escala no Panamá.
Silvinei também levava consigo uma prescrição médica emitida em papel timbrado do Hospital Ministro Costa Cavalcanti, com oito medicamentos listados como de uso contínuo. Entre os remédios estavam ansiolíticos, antidepressivos, hipnóticos e antirretrovirais usados no tratamento de HIV, como dolutegravir, darunavir e ritonavir.
O receituário era assinado por "Dr. Carlos Sidré de Oliveira", com o CRM 20.006/PR, mas uma verificação feita pelo UOL no banco de dados do Conselho Federal de Medicina identificou que o número pertence a outro médico, o que reforça a suspeita de falsificação.
Segundo a Polícia Federal, Silvinei havia saído de Santa Catarina em um carro alugado, levando consigo seu cachorro, possivelmente um pitbull, além de ração, potes e tapetes higiênicos. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que ele carrega o porta-malas do veículo antes de desaparecer.
O plano foi descoberto após o sinal da tornozeleira eletrônica que ele usava ser interrompido na madrugada de Natal. Diante do desaparecimento e da ausência no endereço, o ministro do STF Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva.
Após ser detido, Silvinei está sendo expulso do Paraguai em procedimento administrativo, sem necessidade de extradição formal. O governo paraguaio o classificou como pessoa indesejada, o que permite a deportação imediata. A travessia para o Brasil deve ocorrer pela Ponte da Amizade, entre Cidade do Leste e Foz do Iguaçu.
Silvinei Vasques foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 24 anos e seis meses de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Segundo a denúncia, ele chefiou operações da PRF que tinham como objetivo dificultar o deslocamento de eleitores no segundo turno da votação presidencial.