Rússia expande sua frota de caças supersônicos Tu-160M, os 'Cisnes Brancos'

A aeronave imemorial da União Soviética foi resgatada em 2015 e hoje atravessa com elegância os céus da Rússia na condução de seus objetivos militares e de defesa.

O ministro da Defesa russo, Andrey Belousov, revelou neste mês de dezembro que as Forças Aeroespaciais das Forças Armadas da Rússia foram reforçadas com dois novos bombardeiros estratégicos Tu-160M. O ministro destacou que a Rússia está em processo de modernização de longo prazo de suas Forças Armadas, diante das ameaças externas e do desenvolvimento de tecnologias inovadoras.

A versão modernizada do Tu-160, ou 'Blackjack', segundo a classificação da Aliança Atlântica (OTAN), faz parte da tríade nuclear (mar, terra e ar) das forças de dissuasão da Rússia e, ao mesmo tempo, desperta admiração por ser o renascimento de uma confecção imemorial da Guerra Fria.

A aeronave é considerada uma das mais belas e elegantes da aviação militar mundial, razão pela qual recebeu o apelido de 'Cisne Branco', o que também corresponde a seu revestimento branco refletor, que a protege do clarão gerado por explosões nucleares.

O que há de novo?

Embora mantenha a aparência do seu antecessor, o Tu-160M é um avião completamente novo em termos de características técnicas e capacidades de combate, criado com tecnologias digitais e outros desenvolvimentos avançados, como sistemas de comunicação, navegação, controle e guerra eletrônica.

A aeronave recebeu novos motores, NK-32 Série II, aumentando significativamente seu alcance de combate. O veículo pode voar mais de 12 mil km sem reabastecimento, incluindo pelo menos duas horas em velocidade supersônica. Sua velocidade máxima ultrapassa 2 mil km/h e sua carga útil, mais de 40 toneladas.

Tudo isso permite que o Cisne Branco atualizado conduza operações com potencial defensivo praticamente em qualquer parte do mundo. Como um bombardeiro, afinal, a aeronave militar serve como plataforma de lançamento para diferentes projéteis, incluindo bombas de queda livre ou guiadas de vários calibres e mísseis de cruzeiro X-101.

Criação soviética

O desenvolvimento da aeronave começou no auge da Guerra Fria, quando a União Soviética (URSS) e os EUA se envolveram em uma corrida armamentista nuclear no final da década de 1960. Os principais requisitos deste novo bombardeiro portador de mísseis eram a sua versatilidade e a capacidade de realizar voos intercontinentais. O Tu-160 foi desenvolvido pelo escritório de design Tupolev nos anos 70 e 80.

Em seu voo inaugural em 1981, o modelo superou seu concorrente mais próximo, o bombardeiro americano B-1 Lancer, em todos os aspectos fundamentais: era mais rápido, mais potente e tinha maior alcance.

Uma das características relevantes do Tu-160 era sua fuselagem integral com asas de geometria variável, o que o tornava mais versátil. Ao estender as asas totalmente, o Cisne Branco pode decolar de pistas mais curtas; já em altitude, ao dobrá-las novamente, ele pode atingir velocidades supersônicas.

Renascimento do cisne

Em 2015, o Ministério da Defesa da Rússia anunciou o relançamento da produção do bombardeiro e sua profunda atualização. Foi feito um amplo trabalho para renovar as tecnologias soviéticas e modernizar a produção na cidade de Kazan, que havia ficado praticamente paralisada na década de 1990.

O impulso ao desenvolvimento das tecnologias de produção do Tu-160M veio em novembro de 2017, quando a Fábrica de Aeronaves de Kazan montou o primeiro bombardeiro estratégico Tu-160 da era russa moderna, alçando seu primeiro voo de demonstração em janeiro de 2018, testemunhado pelo presidente russo, Vladimir Putin.

O ressurgimento do Cisne Branco se tornou o maior programa de modernização da produção aeronáutica da Rússia atualmente.