O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, afirmou nesta quarta-feira (24) que a Europa pode caminhar para uma guerra em 2026, diante do aumento da retórica belicista e ao que classificou como declínio da Europa Ocidental e da União Europeia (UE). A declaração aconteceu durante entrevista ao jornal local Magyar Nemzet.
Segundo Orbán, o atual momento internacional é marcado por uma "redistribuição do poder financeiro, militar e político", o que, em sua avaliação, cria condições para um conflito de grandes proporções.
"A tensão bélica que se sente na Europa é consequência do declive da Europa Ocidental e da União Europeia", declarou. O premiê também destacou que a última grande guerra no continente terminou em 1945 e que, após 80 anos, "está surgindo um mundo completamente novo".
Ao comentar a cúpula da UE realizada em Bruxelas nos dias 18 e 19 de dezembro, Orbán disse que foram apresentadas propostas e tomadas decisões que, segundo ele, apontam para a escalada do conflito na Ucrânia.
"Estamos cada vez mais perto de uma guerra", afirmou, acrescentando que políticos que defendem a paz conseguiram apenas "bloquear a aceleração" desse processo, sem interrompê-lo completamente. Para o mandatário húngaro, atualmente existem "dois grupos" na Europa: "o partido da guerra e o partido da paz", sendo que o primeiro tem maior influência.
"Bruxelas quer a guerra; a Hungria quer a paz", disse.
Desintegração da UE
Ainda na entrevista, Orbán afirmou que decisões tomadas em Bruxelas não são efetivamente implementadas pelos Estados-membros, o que, em sua avaliação, enfraquece o bloco.
"A União Europeia se encontra atualmente em um estado de desintegração", disse.
O premiê comparou o funcionamento do bloco a um levantador de peso incapaz de sustentar a barra que tenta erguer, citando como exemplos a política de transição verde e a migração.
Segundo Orbán, medidas adotadas pela Comissão Europeia têm prejudicado setores industriais, como o químico e o automotivo, e posteriormente foram revistas quando se mostraram inviáveis.
Ele também criticou o pacto migratório da UE, afirmando que a Hungria se recusa a implementá-lo e, por isso, sofre multas diárias, enquanto outros países adotam postura semelhante sem sanções.
Para Orbán, a UE restringe a soberania nacional sem conseguir exercer de forma eficaz o poder centralizado. Ele afirmou ainda que há "caos" em Bruxelas e alertou que, sem uma reorganização profunda, o processo de desintegração do bloco "chegará a um ponto do qual não haverá volta".