A Comissão Europeia condenou "veementemente" a decisão dos Estados Unidos de impor restrições de viagem a cinco europeus acusados de "censura extraterritorial", conforme comunicado publicado nesta quarta-feira (24).
"Solicitamos esclarecimentos às autoridades americanas e continuamos em contato. Se necessário, responderemos de forma rápida e decisiva para defender nossa autonomia regulatória contra medidas injustificadas".
Complexo industrial da censura
As medidas restritivas foram anunciadas na terça-feira (23) pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que anunciou medidas contra "ideólogos" europeus que coagem companhias americanas a censurar "opiniões americanas" rejeitadas no velho continente.
"O governo Trump não tolerará mais esses atos flagrantes de censura extraterritorial", afirmou, ao anunciar medidas contra "figuras proeminentes do complexo industrial da censura mundial".
As pessoas sancionadas foram identificadas na terça pela subsecretária de Estado Sarah Rogers em publicações em suas redes sociais, enfatizando que as medidas se relacionam a vistos e são mais brandas que as previsões da Lei Magnitsky. "Mas nossa mensagem é clara: se você dedica sua carreira a fomentar a censura à liberdade de expressão nos Estados Unidos, você não é bem-vindo em solo americano", escreve em publicação.
Os cinco europeus identificados pela subsecretária são destacados pelo ex-comissário da UE Thierry Breton, responsável por assuntos digitais. Os demais são figuras ligadas a organizações dedicadas a combater ódio digital: Imran Ahmed, diretor executivo do britânico-americano Centro de Combate ao Ódio Digital; Clare Melford, diretora do britânico Índice Global de Desinformação; Josephine Ballon e Anna-Lena von Hodenberg, da alemã HateAid.
Espaço digital em disputa
A nova ação de Washington surge depois da imposição de uma multa de 120 milhões de euros (cerca de R$786 milhões) pela Comissão Europeia contra a rede social X, no início de dezembro, por infrações à Lei dos Serviços Digitais (DSA, na sigla de inglês) — uma regulação da União Europeia.
O proprietário da X, Elon Musk, respondeu à medida classificando-a como "absurda" e deixou vários comentários acusando Bruxelas de censura, além de condenar suas tendências "totalitárias" e ataques à democracia na internet.
Igualmente, Rubio classificou a decisão da CE como um "ataque de governos estrangeiros a todos os recursos digitais americanos e ao povo americano". Enquanto isso, o presidente americano, Donald Trump, considerou "repugnante" a punição imposta à empresa de Musk.