O ex-presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança do país, Dmitry Medvedev, reagiu com surpresa irônica às recentes declarações de líderes europeus que suavizaram a retórica belicista em direção a Moscou, em publicação em suas redes sociais na terça-feira (23).
Medvedev citou especificamente o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, que afirmou não acreditar em uma guerra entre a OTAN e a Rússia, e o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, que reconheceu que a Rússia não tem interesse em atacar membros da aliança.
"Então, o que aconteceu? A embriaguez passou ou simplesmente começaram as férias de Natal?", questionou o político russo, de forma sarcástica, referindo-se ao que chamou de "pacificadores europeus".
Gangorra de histeria
O ex-presidente russo faz referência às declarações de Pistorius em uma entrevista ao jornal alemão Die Zeit, publicada na segunda-feira (22), em que descredita a possibilidade de um confronto direto entre a Rússia e a Europa.
"Talvez ele quisesse ilustrar vividamente o que poderia acontecer", responde Pistorius, ao ser questionado sobre declarações anteriores do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, que convocou neste mês a Europa a se preparar para uma guerra comparável à que seus "avós e bisavós enfrentaram".
"Não acredito nesse cenário. Na minha opinião, Putin não almeja uma guerra mundial em grande escala contra a OTAN."
As declarações do ministro demonstram uma mudança radical em sua posição em face da escalada militar da Aliança do Atlântico contra a Rússia. Em meados de novembro, ele chegou a afirmar que um conflito aberto e em grande escala poderia começar antes de 2029.
OTAN é uma 'aliança defensiva'? Descubra em nosso artigo.