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Nicarágua condena os 'atos de pirataria moderna' dos EUA contra a Venezuela

No Conselho de Segurança, o representante do país centro-americano descreveu o destacamento militar dos EUA como uma "ameaça direta à segurança" dos países da região.
Nicarágua condena os 'atos de pirataria moderna' dos EUA contra a VenezuelaONU

O representante permanente da Nicarágua nas Nações Unidas (ONU), Jaime Hermida, condenou na terça-feira (23) os "atos de pirataria moderna" do governo dos EUA contra a Venezuela.

"A Nicarágua denuncia categoricamente os atos de pirataria moderna, neste caso, o saque dos recursos da Venezuela", declarou Hermida durante uma reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre a situação no país caribenho.

Ele mencionou "o sequestro de petroleiros e o saque de ativos financeiros", que "ameaçam a soberania do povo venezuelano e constituem um ataque perigoso contra a paz e a estabilidade de toda a região".

Além disso, ele exigiu a "cessação imediata" do destacamento militar sem precedentes dos EUA no Caribe, que descreveu como "uma ameaça direta à segurança" das nações latino-americanas. "A Venezuela não está sozinha", enfatizou, reiterando a solidariedade do governo de Daniel Ortega e Rosario Murillo com o país caribenho.

Hermida afirmou que esse tipo de ação, realizada nos últimos meses, tem como objetivo gerar um "colapso" da economia venezuelana para, posteriormente, instalar um "governo dócil com interesses estrangeiros egoístas" .

"O Conselho de Segurança e as Nações Unidas têm a obrigação de salvaguardar a paz e a segurança internacionais. Não podem ser espectadores passivos da pilhagem de um país membro", enfatizou o diplomata.

Agressões dos EUA

Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.

Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.

Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.

Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.

Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como RússiaColômbiaMéxico e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional.