A delegação dos Estados Unidos no Conselho de Segurança das Nações Unidas reafirmou na terça-feira (23) que manterá as sanções unilaterais contra a Venezuela e intensificou sua retórica contra o governo de Nicolás Maduro.
"Iremos impor e aplicarsanções com todo o rigor da Lei para impedir que Maduro utilize recursos para financiar o Cartel dos Sóis e o Tren de Aragua", afirmou o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Michael Waltz.
Fazendo coro com o presidente dos EUA, Donald Trump, o diplomata afirmou que o governo republicano "usará todo o poder dos EUA" para combater os cartéis na região, embora Washington ainda não tenha apresentado resultados concretos na luta contra esse flagelo no Caribe.
Da mesma forma, o diplomata não apresentou provas para suas declarações contra o governo venezuelano, feitas perante a maior organização de manutenção da paz do mundo. Em vez disso, afirmou que o país sul-americano "é a principal rota de narcóticos ilícitos no Hemisfério Ocidental", apesar dos dados de organizações internacionais refutarem essa alegação.
"Não reconhecemos Nicolás Maduro nem seus comparsas como o governo legítimo da Venezuela", disse Waltz, que classificou o presidente como "um fugitivo da justiça dos EUA".
Agressões dos EUA
Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional.