A Nicarágua manifestou solidariedade ao povo e ao governo da Venezuela diante do que classificou como agressões dos Estados Unidos, segundo carta divulgada na segunda-feira (22) pelos copresidentes Daniel Ortega e Rosario Murillo.
No documento enviado ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, os chefes de Estado afirmam que Manágua reconhece a "inquestionável vocação de paz" de Caracas e expressam apoio à luta contra "as tentativas desestabilizadoras do imperialismo e seus lacaios", que, segundo eles, violariam o direito internacional e a soberania venezuelana.
"Compartilhamos a condenação a estes atos de agressões, à ameaça ou ao uso da força contra a integridade territorial, de pirataria, saque e roubo dos recursos naturais venezuelanos, as execuções extrajudiciais, ilegais inclusive sob as próprias leis dos EUA, e exigimos o cessar imediato de todas estas agressões, violadoras da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional", afirma o texto.
Agressões dos EUA
Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.
Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
Postura venezuelana: Maduro denuncia que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em pelo menos 100 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional.