Um número crescente de americanos com transtornos por uso de opioides, incluindo dependentes de fentanil, tem procurado o México para tratamentos com ibogaína, um alcaloide psicoativo extraído da planta Tabernanthe iboga.
Estima-se que cerca de 3 mil pacientes viajem anualmente ao país para esse procedimento experimental, segundo recente reportagem do jornal Milenio.
O principal motivo das viagens é que a ibogaína é proibida nos EUA. A substância é classificada como droga de Classe I, ao lado da heroína e de outras drogas, devido ao "alto potencial de abuso", segundo a Administração de Combate às Drogas (DEA).
A ibogaína é usada tradicionalmente em rituais em países da África Central. Na década de 1960, o americano Howard Lotsof afirmou ter descoberto que a substância o ajudou a superar o vício em heroína e passou a promover seu uso terapêutico.
Investigações jornalísticas indicam que a ibogaína pode aliviar sintomas de abstinência de opioides e reduzir a fissura por algum tempo após a administração, embora esses efeitos não tenham sido comprovados em ensaios clínicos conclusivos.
Estudo brasileiro
Um estudo de 2014 no Brasil analisou 75 pessoas com problemas de abuso de álcool, cannabis, cocaína e crack que receberam tratamento com a planta.
Nenhum dos participantes apresentou reações adversas e 61% conseguiram manter a abstinência por períodos mais longos quando utilizaram a ibogaína mais de uma vez.
No entanto, o tamanho reduzido da amostra e a ausência de grupos de controle tornam os resultados preliminares, não podendo confirmar a segurança ou a eficácia do tratamento.