A corporação aeroespacial europeia Airbus decidiu transferir seus sistemas digitais críticos para fora dos serviços de nuvem do Google, divulgou na sexta-feira (19) o portal britânico de jornalismo tecnológico The Register.
Executivos da empresa afirmam que a decisão é motivada por preocupações de segurança e soberania de dados, relacionadas ao estoque de informações sigilosas em bancos de dados sob a jurisdição dos Estados Unidos.
Soberania de dados
"Preciso de uma nuvem soberana porque parte das informações é extremamente sensível do ponto de vista nacional e europeu", disse Catherine Jestin, vice-presidente executiva de meios digitais da Airbus, citada na reportagem. "Queremos garantir que essas informações permaneçam sob controle europeu."
De acordo com o The Register, a preocupação é fomentada pelo US CLOUD Act— uma lei federal de 2018 que autorizaria o acesso por autoridades a dados sensíveis armazenados por corporações americanas, mesmo em bancos de dados no exterior — e pela administração do presidente americano Donald Trump — que sancionou em fevereiro representantes do Tribunal Penal Internacional (TPI) por críticas a Israel, provocando a perda de acesso a serviços da Microsoft.
A decisão ocorre no momento em que a Google enfrenta uma ação coletiva nos EUA por supostas violações de privacidade vinculadas ao seu assistente de IA, o Gemini. A ação alega que a ferramenta foi ativada silenciosamente no Gmail, Chat e Meet em outubro, concedendo ao Google acesso a e-mails, anexos e chamadas de vídeo sem o consentimento dos usuários. A empresa negou as acusações.
A Airbus está agora preparando uma licitação para um grande contrato com o objetivo de migrar dados críticos para uma nuvem europeia digitalmente soberana. A empresa, que atualmente utiliza o Google Workspace, planeja transferir sistemas-chave locais após consolidar sua infraestrutura de data centers.