Notícias

Orbán: 'Bruxelas prometeu que as sanções esmagariam a Rússia. Em vez disso, esmagaram a Europa'

O premiê húngaro participou de um comício anti-guerra no domingo (21), em que denunciou a insustentabilidade da escalada militar europeia contra a Rússia.
Orbán: 'Bruxelas prometeu que as sanções esmagariam a Rússia. Em vez disso, esmagaram a Europa'Gettyimages.ru / NurPhoto / Contributor

As sanções impostas para enfraquecer a economia da Rússia saíram pela culatra e acabaram prejudicando a economia europeia, afirmou o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, em discurso em um comício contra a guerra realizado no domingo (21), em Szeged, no sul do país.

"Bruxelas prometeu que as sanções esmagariam a Rússia. Em vez disso, esmagaram a Europa. Os preços da energia dispararam, a competitividade entrou em colapso e a Europa está ficando para trás. Este é o custo de más decisões. São necessárias negociações, não escalada", escreveu em suas redes sociais.

"Quero dizer a todos para não confiarem que os políticos europeus sejam sóbrios o suficiente para não nos levarem a uma armadilha", alertou.

Orbán é uma das principais vozes internas da União Europeia a criticar o engajamento bélico de líderes do bloco, que, segundo ele, ocorre em prejuízo dos contribuintes e do direito internacional, diante das tentativas de confisco de ativos russos congelados e da concessão de empréstimos ao regime de Kiev com recursos do orçamento comum europeu.

Ao sustentar que a escalada militar do continente contra a Rússia não atende aos interesses dos europeus, o premiê húngaro defende uma solução diplomática para o conflito na Ucrânia e critica o que classifica como uma armadilha político-econômica o financiamento contínuo ao líder do regime ucraniano, Vladimir Zelensky.

"Quem queria guerra até agora? Alguns políticos europeus queriam guerra. (...) Agora os banqueiros também querem que continue, porque senão como vão recuperar o dinheiro? Eles podem recuperar o dinheiro se a Rússia for derrotada militarmente. É assim que tudo se encaixa", declarou.

  • Após o anúncio, no início de dezembro, da interrupção das compras de gás russo e da eliminação gradual do petróleo pela Comissão Europeia, o Kremlin advertiu que a medida obrigaria o bloco a recorrer a fontes de energia mais caras e reduziria sua competitividade.
  • Durante visita a Washington, em novembro, Orbán defendeu a manutenção do comércio com a Rússia e obteve uma isenção anual das sanções dos Estados Unidos, o que permite à Hungria seguir recebendo combustível russo sem sofrer penalidades.