O presidente da França, Emmanuel Macron, deixou de apoiar uma proposta defendida pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, para utilizar ativos russos congelados na União Europeia (UE) como forma de financiamento à Ucrânia, informou o jornal britânico Financial Times neste domingo (21).
Líderes da UE não chegaram a um consenso sobre a proposta da Comissão Europeia de usar recursos do banco central russo imobilizados para sustentar a economia e o esforço militar do regime de Kiev.
A publicação cita um diplomata sênior da UE, sob anonimato, que afirmou que "Macron traiu Merz" ao não endossar a iniciativa.
"Macron traiu Merz e sabe que terá de pagar um preço por isso", disse.
Ainda segundo o Financial Times, embora Macron não tenha se oposto publicamente ao chamado "empréstimo de reparações", o mandatário francês se questionou de forma reservada sobre a legalidade do plano. A Itália também se opôs.
Integrantes de sua equipe também sinalizaram que a França, diante do aumento do endividamento, dificilmente ofereceria garantias caso os ativos precisassem ser devolvidos à Rússia.
O impasse no bloco
A França se juntou a Bélgica, Itália, Hungria, Eslováquia e República Tcheca na oposição à proposta, o que inviabilizou o plano.
Em substituição, os líderes europeus aprovaram um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 582 bilhões) à Ucrânia, garantido pelo orçamento do bloco e pago entre 2026 e 2027. Hungria, Eslováquia e República Tcheca optaram por não participar do financiamento.
Posição russa
O governo russo tem reiterado que qualquer tentativa de confiscar seus recursos será tratada como "roubo".
Em declaração feita na sexta-feira (19), o presidente Vladimir Putin afirmou que "não importa o que eles roubem, mais cedo ou mais tarde terão de devolver".
A Rússia também iniciou processos judiciais contra a Euroclear, banco belga onde está a maior parte dos ativos russos congelados.