A gigante aeronáutica Airbus anunciou que vai abandonar os serviços de nuvem da Google por motivos de segurança e soberania digital, segundo reportagem do The Register. A empresa vai migrar sistemas estratégicos, incluindo produção, gestão empresarial e projetos de aeronaves, para um cloud europeu totalmente sob controle europeu.
Segundo Catherine Jestin, vice-presidente executiva de digital da Airbus, parte das informações é extremamente sensível do ponto de vista nacional e europeu. "Queremos garantir que esses dados permaneçam sob controle europeu", afirmou.
Soberania digital:
A mudança acontece em meio a temores de espionagem e exposição legal provocados pelo domínio das gigantes americanas de tecnologia. Leis como o US CLOUD Act permitem que autoridades dos EUA acessem dados armazenados por empresas americanas, mesmo que estejam fora do país. Medidas de proteção adotadas por Google, Microsoft e Amazon não convencem setores que lidam com informações estratégicas.
O contrato da Airbus, estimado em mais de 50 milhões de euros (cerca de R$295 milhões), deverá ser licitado em janeiro, com duração de até dez anos. A fabricante admite, porém, que apenas 80% de chance existe de encontrar um provedor europeu capaz de atender a todos os requisitos técnicos e legais.
Google sob investigação nos EUA
A decisão ocorre no momento em que a Google enfrenta uma ação coletiva nos EUA por supostas violações de privacidade vinculadas ao seu assistente de IA, o Gemini. A ação alega que a ferramenta foi ativada silenciosamente no Gmail, Chat e Meet em outubro, concedendo ao Google acesso a e-mails, anexos e chamadas de vídeo sem o consentimento dos usuários. A empresa negou as acusações.
A Airbus está agora preparando uma licitação para um grande contrato com o objetivo de migrar dados críticos para uma nuvem europeia digitalmente soberana. A empresa, que atualmente utiliza o Google Workspace, planeja transferir sistemas-chave locais após consolidar sua infraestrutura de data centers.