Uma série de denúncias recentes expôs novos episódios de violência e maus-tratos em abrigos da Aide Sociale à L’enfance (ASE), um sistema francês responsável pela proteção de menores. Os casos foram revelados pela imprensa local e evidenciaram a falta de resposta das autoridades.
Na sexta-feira (19), o jornal Le Courrier de l’Ouest revelou suspeitas de agressões sexuais em um abrigo administrado pela associação Le Colibri, entre Angers e Cholet, no departamento de Maine-et-Loire.
Uma adolescente é suspeita de abusar sexualmente de três meninos, com idades entre 12 e 15 anos. Segundo uma fonte interna, "fala-se em estupros comprovados". Apesar de uma queixa registrada no início de novembro e da abertura de uma investigação, vítimas e suspeita permaneceram convivendo por várias semanas.
O diretor da associação, Jérôme Aucordier, afirmou ao jornal ter comunicado os fatos à ASE. No entanto, o Conselho Departamental de Maine-et-Loire não reagiu de forma imediata.
Cabelo raspado
Outras denúncias recentes também ganharam repercussão. Em 18 de dezembro, o jornal France Info divulgou o relato de uma mãe cujos filhos, de 3 e 4 anos, tiveram o cabelo raspado em um abrigo de Paris, administrado pela fundação OVE.
"Tive dificuldade de reconhecê-los, me senti privada dos meus filhos", declarou a mãe ao veículo de imprensa.
Segundo a publicação, a instituição alegou infestação de piolhos. O diretor da OVE, Christian Berthuy, afirmou que "o corte pode ter sido feito mais curto do que o previsto", mas negou que tenha havido raspagem total. A prefeitura de Paris informou ter encaminhado um relatório ao Ministério Público e convocado o diretor.
Outros casos
Na região francesa de Bretanha, em 17 de dezembro, um bebê de um mês colocado sob responsabilidade da ASE na cidade de Quimper foi retirado do abrigo pela mãe e encontrado em Landerneau, que fica a cerca de 82km de distância, informou o jornal Ouest France.
Casos semelhantes já haviam sido revelados no início do mês. A France Info noticiou que, em 9 de dezembro, um menino de 8 anos, identificado como Eliott, teve a cabeça raspada como forma de punição em um outro abrigo de Paris.
O ato foi filmado e compartilhado em um grupo de WhatsApp de educadores.
"É uma punição", afirmou uma educadora nas mensagens.
- Em entrevista à France Info em 18 de dezembro, a ministra da Solidariedade e Saúde da França, Stéphanie Rist, classificou os fatos como "inqualificáveis" e anunciou a preparação de um projeto de lei sobre proteção à infância.