Crimes registrados no Japão sobem pelo terceiro ano consecutivo

Segundo dados do governo japonês, ocorrências de furtos e golpes lideraram aumento.

O número de crimes registrados no Japão aumentou pelo terceiro ano consecutivo em 2024, segundo dados oficiais divulgados em um relatório do governo. De acordo com o documento, citado pelo jornal The Japan Times na sexta-feira (20), a polícia contabilizou, em 2024, 737.679 mil ocorrências previstas no Código Penal, uma alta de 4,9% em relação a 2023.

O total representa 98,5% do nível registrado em 2019, antes das restrições impostas pela pandemia de Covid-19, período em que houve queda significativa nos índices criminais. Entre os delitos, os furtos continuaram sendo os mais frequentes, com 501.507 mil casos, crescimento de 3,7% na comparação anual.

Os crimes de fraude apresentaram aumento mais expressivo, com alta de 24,6%, totalizando 57.324 mil registros. Parte desse crescimento foi atribuída aos chamados "golpes especiais", esquemas que utilizam telefone ou internet para enganar vítimas, muitas vezes se passando por familiares ou autoridades. Os casos chegaram a 21.043 mil, avanço de 10,5% em 2024.

O relatório também aponta forte elevação nos crimes sexuais. Os casos de estupro e delitos similares sem consentimento aumentaram 45,2%, alcançando 3.936 ocorrências, enquanto atos obscenos sem consentimento cresceram 14,7%, com 6.992 mil registros.

Segundo os dados, o número de prisões permaneceu elevado em crimes relacionados a abuso infantil, violência doméstica e perseguição, além de infrações à Lei de Controle da Cannabis. As detenções de menores por crimes do Código Penal somaram 29.675 mil pessoas, aumento de 13,2% e o terceiro crescimento anual consecutivo.

Estrangeiros no país

O levantamento também detalha ocorrências envolvendo estrangeiros. Em 2024, a polícia registrou 18.861 mil casos relacionados a 10.464 mil pessoas estrangeiras, altas de 21,4% e 7,6%, respectivamente.

O grupo respondeu por 5,5% do total de indivíduos envolvidos em crimes do Código Penal. A maior parte do aumento, segundo o relatório, esteve ligada a visitantes temporários, e não a residentes de longo prazo, com predominância de furtos. Crimes graves, como homicídio e roubo, representaram parcela reduzida dos casos.