
Presidente da Polônia entrega a Zelensky livro sobre massacres cometidos por ucranianos na 2ª Guerra

Durante visita oficial a Varsóvia, o líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, recebeu do presidente da Polônia, Karol Nawrocki, um livro sobre os massacres de Volínia, crimes cometidos por ultranacionalistas ucranianos contra civis poloneses durante a Segunda Guerra Mundial. A entrega ocorreu na sexta-feira (19) e chamou a atenção pelo forte simbolismo histórico e político, informou o jornal polonês Wiadomosci Gazeta.

A obra entregue, intitulada "Documentos da Tragédia de Volínia", reúne provas e testemunhos sobre as ações da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)* e do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)* entre 1943 e 1945.
Publicado em 2023 pelo Instituto Polonês da Memória Nacional, o livro foi organizado a partir de arquivos históricos e documentos preservados desde os anos 1940.
Segundo o instituto, os volumes incluem relatos assinados por sobreviventes e materiais conhecidos como "Livro Verde" e "Livro Marrom", com o objetivo de documentar os crimes e homenagear as vítimas. A instituição afirma que os documentos permitem "medir a dimensão do genocídio e preservar a memória das vítimas".
A entrega do livro ocorre em meio a divergências recorrentes entre Polônia e Ucrânia sobre a interpretação do período histórico. Varsóvia acusa Kiev de minimizar os massacres e de exaltar figuras associadas ao nacionalismo ucraniano da época.
De acordo com o jornal, em declaração pública, Nawrocki afirmou que "os esforços poloneses não foram plenamente reconhecidos", acrescentando que a mensagem foi transmitida "de forma clara, mas cordial".
O jornal Wiadomosci Gazeta ressaltou também que a memória dos massacres de volínia é um ponto sensível na relação bilateral. A Polônia reivindica há anos o direito de exumar os corpos de cidadãos poloneses mortos em território ucraniano.
O dia 11 de julho foi instituído como data oficial de homenagem às vítimas, e as estimativas apontam entre 50 mil e 100 mil civis poloneses mortos no período.
Autoridades do regime ucraniano minimizaram o episódio, afirmando que o livro apenas estava presente no local, sem confirmação oficial da entrega. A versão, no entanto, foi contestada por registros visuais e por jornalistas que acompanharam o encontro, ainda segundo a imprensa local.
*Organização extremista proibida na Rússia.
Como o nacionalismo ucraniano foi o aliado bobo de Hitler (e por que isso importa hoje). Descubra aqui.

