
Após adiamento do acordo com União Europeia, Mercosul lança novas negociações com Vietnã e Japão

Os países do Mercosul anunciaram, por meio de um comunicado oficial divulgado neste sábado (20), dia em que os chefes de Estado do bloco se reúnem em Foz do Iguaçu, o lançamento das negociações de um Acordo de Comércio Preferencial com o Vietnã.
"O futuro Acordo buscará promover a expansão do comércio por meio da eliminação de tarifas e tratar de medidas não tarifárias relevantes, a fim de facilitar o acesso efetivo aos mercados e assegurar que os fluxos comerciais reflitam o potencial de suas economias", explica a nota.

Além do acordo com o Vietnã, os países anunciaram, também neste sábado, o estabelecimento de "Marco de Parceria Estratégica entre o Japão e o MERCOSUL".
"A primeira rodada de consultas no âmbito da Parceria Estratégica deve ocorrer no início de 2026, sob a presidência pro tempore do Paraguai, com vistas a estreitar os laços comerciais e de investimento entre o MERCOSUL e o Japão", explica uma nota oficial.
Impasse com Bruxelas
Os anúncios ocorrem em um momento de impasse, já que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que gerava grande expectativa de assinatura neste sábado, foi adiado mais uma vez diante de preocupações da Itália e da França sobre os impactos em seus setores comerciais domésticos.
Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o bloco sul-americano busca diversificar suas parcerias diante do impasse com os europeus:
"Neste semestre, demos início à discussão sobre a ampliação do acordo com a Índia. Retomamos as tratativas com o Canadá e avançamos nas negociações com os Emirados Árabes Unidos. Adotamos marcos para negociar uma parceria estratégica com o Japão e um acordo de preferências tarifárias com o Vietnã", afirmou Lula, citado pelo jornal Folha de S. Paulo neste sábado. O mandatário também citou diálogos com parceiros regionais, como Panamá, Colômbia e Equador.
O jornal afirmou ter conversado com um auxiliar do governo brasileiro que, em condição de anonimato, associou a preferência por um pacto de comércio preferencial com o Vietnã, em vez de um tratado de livre comércio, à ''possível avalanche de produtos asiáticos''.

