Notícias

Após adiamento do acordo com União Europeia, Mercosul lança novas negociações com Vietnã e Japão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também destacou diálogos com Índia, Canadá, Emirados Árabes Unidos e parceiros latino-americanos.
Após adiamento do acordo com União Europeia, Mercosul lança novas negociações com Vietnã e JapãoRicardo Stuckert / PR

Os países do Mercosul anunciaram, por meio de um comunicado oficial divulgado neste sábado (20), dia em que os chefes de Estado do bloco se reúnem em Foz do Iguaçu, o lançamento das negociações de um Acordo de Comércio Preferencial com o Vietnã.

"O futuro Acordo buscará promover a expansão do comércio por meio da eliminação de tarifas e tratar de medidas não tarifárias relevantes, a fim de facilitar o acesso efetivo aos mercados e assegurar que os fluxos comerciais reflitam o potencial de suas economias", explica a nota.

Além do acordo com o Vietnã, os países anunciaram, também neste sábado, o estabelecimento de "Marco de Parceria Estratégica entre o Japão e o MERCOSUL".

"A primeira rodada de consultas no âmbito da Parceria Estratégica deve ocorrer no início de 2026, sob a presidência pro tempore do Paraguai, com vistas a estreitar os laços comerciais e de investimento entre o MERCOSUL e o Japão", explica uma nota oficial.

Impasse com Bruxelas

Os anúncios ocorrem em um momento de impasse, já que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que gerava grande expectativa de assinatura neste sábado, foi adiado mais uma vez diante de preocupações da Itália e da França sobre os impactos em seus setores comerciais domésticos.

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o bloco sul-americano busca diversificar suas parcerias diante do impasse com os europeus:

"Neste semestre, demos início à discussão sobre a ampliação do acordo com a Índia. Retomamos as tratativas com o Canadá e avançamos nas negociações com os Emirados Árabes Unidos. Adotamos marcos para negociar uma parceria estratégica com o Japão e um acordo de preferências tarifárias com o Vietnã", afirmou Lula, citado pelo jornal Folha de S. Paulo neste sábado. O mandatário também citou diálogos com parceiros regionais, como Panamá, Colômbia e Equador.

O jornal afirmou ter conversado com um auxiliar do governo brasileiro que, em condição de anonimato, associou a preferência por um pacto de comércio preferencial com o Vietnã, em vez de um tratado de livre comércio, à ''possível avalanche de produtos asiáticos''.