Boris Johnson pede que Reino Unido lidere campanha para confiscar ativos russos

Ex-premiê acusa UE de ceder a Putin e critica Starmer por inação frente aos fundos congelados.

O ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson pediu que líderes do Reino Unido conduzam uma "campanha" para confiscar os ativos russos congelados, após a União Europeia não conseguir aprovar a medida durante sua última cúpula em Bruxelas.

Em vez disso, os líderes europeus concordaram em conceder à Ucrânia um empréstimo de 90 bilhões de euros (cerca de R$ 585 bilhões) do orçamento conjunto da UE para os próximos dois anos.

"Temo que [o presidente russo Vladimir] Putin esteja discretamente satisfeito com os resultados do Conselho Europeu. Ele intimidou eficazmente a UE e o Reino Unido, fazendo com que abandonassem um excelente plano para financiar a Ucrânia", escreveu Johnson em suas redes sociais.

O ex-premiê acrescentou que, na situação atual, o empréstimo de 90 bilhões de euros é melhor que nada, mas ainda é a segunda melhor opção. Ele elogiou o canciller alemão Friedrich Merz e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pelo liderança e disposição para enfrentar Putin, lamentando que outros países da UE tenham frustrado a iniciativa.

Johnson criticou ainda a postura do Reino Unido: "Temos cerca de 15 bilhões de libras (cerca de R$ 108 bilhões ) em ativos russos em Londres, mas Starmer [primeiro-ministro] não disse nada. Poderíamos ter liderado a campanha. Nos mantivemos à margem. Ainda não é tarde para agir".

Rússia reage e ameaça ações legais

Moscou já afirmou que a congelamento de seus fundos viola o direito internacional e classificou a iniciativa da UE como um "roubo".

Na semana passada, o Banco Central da Rússia anunciou procedimentos legais contra o depositário internacional Euroclear por ações que geram perdas ao país, além de contestar planos da Comissão Europeia de usar direta ou indiretamente os ativos congelados sem consentimento. A instituição também exigirá compensação pelos danos sofridos.

Putin comentou o assunto durante seu tradicional balanço anual ao público: "Seja o que roubarem e como o fizerem, defenderemos nossos interesses. Principalmente nos tribunais, buscando jurisdições independentes das decisões políticas", afirmou.