Uma criança brasileira que sofria xenofobia desde 2022 em uma escola pública nos arredores de Bragança, Portugal, teve o processo arquivado esta semana pelo Ministério Público (MP), segundo informações do O Globo.
"Decidiu arquivar. Trata como coisa de crianças. Ou seja, abaixar a calça e a calcinha da minha filha no recreio, sem que nenhum adulto presenciasse, é algo normal", afirmou Gabriela Salgueiro, mãe da menina.
Segundo a Procuradoria da República da Comarca de Bragança, o inquérito foi encerrado por falta de provas e por não ter sido possível identificar os suspeitos.
Gabriela, que é jurista, contestou a decisão, alegando que a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) tinha conhecimento do caso e que seu processo deveria ter sido a base da investigação.
Diversas agressões
No dia em que a menina teve as calças abaixadas, o mesmo aluno teria jogado areia em seus olhos, fazendo com que ela precisasse ser levada ao centro de saúde.
"A educadora, na época, disse que não ia comunicar a mãe do menino porque ele já tinha pedido desculpas. Também não me comunicou, soube pela minha filha", relatou Gabriela.
Em novembro, a criança também foi vítima de agressão física: levou chutes de um colega e ficou com hematoma na perna esquerda.
"Em relação à xenofobia, a minha filha perguntou se eu não gostava dela por ela ser portuguesa, que eu digo que ela é portuguesa, mas na escola todos dizem que ela fala brasileiro e que é brasileira. Ela disse tudo isso chorando, uma crise de choro", lamentou a mãe.