O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, em elaboração há 25 anos, sofreu novo adiamento. Os países europeus decidiram não votar a proposta nesta sexta-feira (19) e retomar o tema no próximo mês, em meio às manifestações de agricultores em Bruxelas.
França, com apoio da Itália, encabeça a oposição ao acordo
A França lidera o grupo contrário ao acordo devido à pressão dos agricultores franceses, que possuem um grande peso social e econômico e que têm promovido protestos em massa alegando que o pacto prejudica seus interesses.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também precisa considerar o crescimento da direita, que se posiciona contra a flexibilização da política protecionista do setor agrícola.
A Itália se alinhou à França. Inicialmente hesitante, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, passou a apoiar o líder francês, alegando falta de garantias para os agricultores europeus. Hungria e Polônia também compartilham preocupações semelhantes.
O que eles pedem?
Os opositores defendem a criação de mecanismos para reduzir impactos negativos sobre as economias agrícolas europeias. A proposta inclui a aplicação de cláusulas que elevem os padrões e exigências para produtos latino-americanos, de forma a equilibrar a concorrência.
Nos últimos dias, os 27 países membros da União Europeia concordaram com algumas salvaguardas para proteger os agricultores caso as importações do Mercosul aumentem demais e os preços sejam inferiores aos europeus. No entanto, a tentativa do Parlamento Europeu de exigir que os produtos latino-americanos respeitem os "padrões europeus" falhou.
Produtores europeus alertam para "concorrência desleal", já que devem cumprir regras rigorosas de produção, incluindo proibição de certos pesticidas e normas sociais e trabalhistas, enquanto produtos do Mercosul têm exigências mais leves.
Uma jornada de 25 anos
O acordo, em elaboração há 25 anos, parece próximo da conclusão. Se superar todas as divergências, criará o maior bloco comercial do mundo, abrangendo um mercado com mais de 700 milhões de consumidores e cerca de um quarto do PIB global.
O pacto não beneficiaria apenas o setor agrícola sul-americano, mas também facilitaria exportações de veículos, máquinas e bens de capital da Europa. Os defensores vêem o acordo como uma oportunidade de reduzir os efeitos da política norte-americana e a dependência da China.