
Putin participa de balanço anual ao público e responde perguntas da imprensa

O presidente russo, Vladimir Putin, participa nesta sexta-feira (19) de seu balanço anual, respondendo a uma maratona de perguntas da imprensa e de cidadãos do país. Durante o encontro, Putin avalia as ações realizadas ao longo do ano de 2025 e apresenta novas diretrizes para o ano que se aproxima.
O primeiro evento deste tipo foi realizado em 24 de dezembro de 2001. Desde 2023, o formato da chamada "Linha Direta" foi unificado à grande coletiva de imprensa.
⚡️🇷🇺 Vladimir Putin conversa com jornalistas e a população no tradicional evento anual de Perguntas e RespostasAcompanhe: https://t.co/zQ9ivoLlE0pic.twitter.com/eurYWD0Oo6
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Os participantes tiveram a oportunidade de enviar suas perguntas a Putin por telefone, SMS, redes sociais (VK, OK, Max) e outros canais, incluindo um aplicativo desenvolvido especialmente para o evento.

O presidente costuma abordar questões pertinentes ao desenvolvimento econômico nacional, programas sociais e medidas de apoio a famílias e regiões. A agenda internacional e a segurança nacional também fazem parte da pauta de discussão, assim como o progresso tecnológico, incluindo a inteligência artificial e a digitalização.
Segundo o Kremlin, este ano, as perguntas relacionadas aos participantes da operação militar especial são as mais importantes. Até quinta-feira (18), já haviam sido recebidas mais de dois milhões de perguntas, relatou a imprensa.
Os representantes da imprensa internacional, inclusive de países hostis, também terão oportunidade de fazer perguntas a Putin.
Disposição para a diplomacia
A Rússia está disposta à pôr fim ao conflito ucraniano por meios pacíficos, declarou o presidente.
O presidente russo destacou que, após as negociações em Istambul, a Ucrânia também aceitou inicialmente os acordos, mas logo desfez o consenso. Agora, o desejo de Kiev de pôr fim ao conflito não é visível, ressaltou.
"A única coisa que quero dizer é algo que sempre afirmamos: estamos prontos e dispostos a pôr fim a este conflito por meios pacíficos, com base nos princípios que expliquei em junho passado no Ministério das Relações Exteriores da Rússia, e abordando as causas profundas que levaram a esta crise", declarou Putin.
❗️Putin: 'A única coisa que quero dizer, e sempre dissemos isso, é que também estamos prontos e queremos encerrar este conflito' pic.twitter.com/oeKNXfLDjN
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"Permitam-me lembrá-los de como tudo começou: com o golpe de Estado na Ucrânia em 2014 e a ilusão de uma possível solução pacífica para todos os problemas após os acordos de Minsk", observou o presidente.
Relatos do front
As tropas russas continuam avançando ao longo de toda a linha de frente, destacou o presidente russo, afirmando que "a iniciativa estratégica passou completamente para as mãos das Forças Armadas russas" após a libertação da província russa de Kursk.
🇷🇺 Putin: "Não há mais reservas estratégicas": presidente destaca cerco às forças de KievO presidente russo expressou confiança de que a pressão na linha de frente impulsionará o regime de Kiev a resolver o conflito ucraniano por meios pacíficos. pic.twitter.com/RvpeRtXuVq
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"O inimigo está recuando em todas as direções", constatou, resgatando as recentes libertações das cidades de Seversk, Krasnoarmeisk, Dimitrov, Volchansk e Kupiansk, além do otimismo em face do andamento das operações em Krasny Liman, Slaviansk, Konstantinovka e Gulyaipole.
"Estou confiante de que, até o final deste ano, presenciaremos novos sucessos de nossas Forças Armadas nas linhas de frente", afirmou.
Barbaridades de Kiev
Sua disposição em pôr fim às atrocidades contra civis cometidas pelas forças ucranianas foi reafirmada durante as conversas, citando relatos do tenente-major Naran Ochirgoriaev, Herói da Rússia, que descreveu sua experiência com os crimes perpetrados pelo Exército ucraniano durante sua participação no evento.
🇷🇺 Putin: "Relatos sobre violência contra civis motivam resposta dura das forças russas"Ele citou as palavras do tenente-major Naran Ochirgoriaev, Herói da Rússia, que relatou os crimes perpetrados pelo Exército ucraniano. pic.twitter.com/RJukEDQtnf
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"Eles viram o que estavam fazendo com as pessoas, com a população civil, atirando em idosas, matando-as com drones", Putin denunciou. Ochirgoriaev também havia relatado que civis jovens entre 30 e 40 anos eram fuzilados pelos combatentes de Kiev "sem julgamento ou investigação".
"[Os combatentes russos] estão prontos para ir além e acabar com essa escória", advertiu o presidente.
Assalto anunciado
Diante dos avanços da União Europeia em suas tentativas de apropriação dos ativos russos congelados pelas sanções ocidentais, a fim de perpetuar o financiamento ao regime de Kiev, o presidente Putin reiterou a inadmissibilidade da medida e corrigiu sua classificação.
"Furto não é o termo correto. Furto é uma apropriação às escondidas de propriedade, mas aqui eles querem fazê-lo abertamente. É um assalto", denunciou Putin.
🇷🇺 "Um dia terão que devolvê-los": Putin sobre a possível apreensão de ativos russosO presidente russo explicou que o congelamento dos ativos e os planos para sua apreensão não são um furto, mas um "roubo" descarado. pic.twitter.com/CnpedhtmO5
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"Mas por que esse assalto não pode ser feito? Porque as consequências podem ser graves para os assaltantes", acrescentou. Putin destacou que muitos países têm seus ativos na zona do euro, incluindo países produtores de petróleo, que "começam a ter suspeitas, dúvidas e receios" diante das manobras legais tomadas pelas lideranças europeias.
"Seja o que for que assaltem e como o façam, algum dia terão que devolvê-lo (...) faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para encontrar uma jurisdição que seja independente das decisões políticas".
Prosperidade econômica
Destacando que a dívida pública da Rússia segue entre as mais baixas das economias desenvolvidas, registrando uma proporção em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente 16%, o presidente Putin reafirmou que, nos próximos três anos, seu nível não deve superar 20%.
Comparativamente, os países ocidentais registram níveis significativamente maiores: 44% no Reino Unido, 62% na Alemanha, 113% na França e 124% nos Estados Unidos.
Putin destacou que, em três anos, o crescimento da economia do país foi de 9,7%, um ritmo "muito mais alto do que na Europa". Além disso, ele avalia que o problema de inflação na Rússia está se resolvendo, estimando uma taxa 5,7-5,8% no fim do ano.
Amizade e confiança
O presidente da Rússia também respondeu a uma pergunta da agência estatal chinesa Xinhua, esclarecendo a centralidade das relações russo-chinesas para o cenário internacional.
"Considero Xi Jinping um amigo confiável, um parceiro estável e um aliado da Rússia", afirmou, acrescentando que as relações entre seus países são um "fator importante para a estabilidade global."
🗣🇷🇺 "Considero Xi Jinping um amigo confiável, um parceiro estável e um aliado da Rússia" – Vladimir PutinO presidente da Rússia respondeu a uma pergunta da agência estatal chinesa Xinhua. pic.twitter.com/DRLxzDbREV
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Compromissos desonrados
A Rússia não quer nada incomum em relação à construção de um novo sistema de segurança na Europa, declarou Putin, definindo que se limita a demandar que sejam honradas as promessas assumidas pelos países ocidentais.
O presidente expressou sua esperança na elaboração de uma nova arquitetura de defesa, não por meio da expansão da OTAN, mas de uma forma que "ninguém seja excluído do processo nem colocado em condições difíceis".
Ele abordou o tema da aproximação entre a OTAN e a Rússia, lembrando que o país propôs sua adesão à aliança duas vezes em sua história, em 1954, na época da União Soviética, e em 2000, durante mandato do próprio Putin. Os pedidos, entretanto, foram rejeitados.
"Não se tratava simplesmente de cooperação, mas de adesão direta. [...] Mas tanto no primeiro quanto no segundo caso, compreendemos que não havia lugar para nós".
Ele destacou ainda que as promessas feitas à Rússia sobre a não expansão do bloco militar ainda são ignoradas. "Mais uma vez, fomos enganados (...) Sem dúvida, o avanço da infraestrutura militar em direção às nossas fronteiras provocou e continua provocando uma preocupação legítima da nossa parte."
Negociações de um conflito instigado
O presidente russo ainda revelou que havia "basicamente aceitado" as propostas do presidente dos EUA, Donald Trump, para uma solução pacífica do conflito ucraniano, durante discussões entre os dois líderes na cúpula em Anchorage, no Alasca, em agosto deste ano.
Um correspondente da NBC questionou Putin a avaliar sua responsabilidade "pelo que acontecer na zona da operação especial na Ucrânia em 2026", diante de uma possível rejeição à proposta de paz de Trump. O presidente replicou que a Rússia não iniciou o conflito armado na Ucrânia.
"Não nos consideramos responsáveis pelas mortes porque não começamos. Esta guerra começou após o golpe na Ucrânia, o golpe armado e inconstitucional de 2014, e depois que os líderes do regime de Kiev iniciaram ações armadas contra seus próprios cidadãos no sudeste da Ucrânia", salientou.
Ele ressalta que a Rússia se recusou por muito tempo a reconhecer a independência das então autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk, que se reconheceram como parte integrante da Federação Russa após referendos populares em 2014.
"Entretanto, tendo sido enganados e vendo que os acordos de Minsk não estavam sendo respeitados, fomos forçados a usar a força armada para pôr fim à guerra iniciada pelo regime de Kiev com o apoio de países ocidentais", reiterou.
Delírios à guerra
O presidente Putin descreveu sua relação com o atual secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, denotando o absurdo de suas posições recentes.
"Ele foi primeiro-ministro dos Países Baixos. À época, fui lá visitá-lo, conversamos. Ele é uma pessoa inteligente", rememorou. "Sei que ele era um primeiro-ministro inteligente, sistemático e eficaz, e a economia dos Países Baixos está em boa situação, e isso é, em parte, mérito dele".
Entretanto, em seu cargo como chefe da aliança militar, ele adotou uma retórica alarmista sobre uma suposta iminência de conflito direto com a Rússia.
"O que ele diz agora? Às vezes, dá vontade de perguntar: 'Ei, por que você fala em guerra com a Rússia?'. Eles querem se preparar para uma guerra com a Rússia. Você sabe ler? Leia a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA", recomendou Putin, referindo-se ao fato de que esse documento destaca que a Rússia não figura como inimiga de Washington.
Ameaças a Kaliningrado
O presidente também comentou as ameaças feitas por altos funcionários da OTAN em relação à província russa de Kaliningrado.
"Se eles fizerem ameaças dessa forma, nós as eliminaremos, e todos devem entender e estar cientes de que ações desse tipo simplesmente levarão a uma escalada sem precedentes do conflito", alertou.
O presidente russo especificou ainda que isso poderia até mesmo levar a um "conflito armado em larga escala".
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, já havia respondido na quinta-feira (18) a ameaças do comando do exército americano ao enclave russo na Europa. "Esta é mais uma declaração em uma série de declarações hostis e agressivas que frequentemente ouvimos de representantes dos Ministérios da Defesa de países europeus", indicou Peskov. "A OTAN é uma ferramenta de confrontação; é um bloco hostil ao nosso país."
O respeito é a condição
Ao responder a uma pergunta da BBC, o presidente da Rússia garantiu que Moscou não tem intenção de empreender novas operações militares especiais caso o Ocidente a trate com respeito.
🇷🇺Putin afirma que não haverá nova operação militar se Ocidente respeitar a RússiaO presidente lembrou que o Ocidente enganou Moscou com a expansão da OTAN para o leste e continua a agravar a tensão ao falar constantemente que se estão a preparar para uma guerra com a Rússia. pic.twitter.com/W6V9pj0hzo
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"Não haverá nenhuma operação se vocês nos tratarem com respeito e respeitarem nossos interesses da mesma forma que temos tentado respeitar constantemente os seus", disse.
Putin acrescentou que isso também não ocorrerá se o Ocidente não voltar a enganar a Rússia, como fez com a expansão da aliança militar do Atlântico.
"Eles disseram que não haveria expansão da OTAN para o leste, nem um único centímetro. É uma citação textual. E o que aconteceu? Como se diz em nosso povo, eles nos deixaram na mão", expôs o presidente.
Quem são os 'porcos europeus'?
O presidente evitou mencionar especificamente os políticos a quem se referiu como "porcos europeus" anteriormente, durante uma reunião com a cúpula militar da Rússia.
"Não me referia a ninguém em particular", disse. "Eu me referia a um grupo de pessoas em geral, um grupo indefinido, como dizem os advogados", respondeu Putin com um sorriso.
O comentário havia sido proferido na quarta-feira (17), durante a reunião ampliada do Ministério da Defesa, como uma indicação do fracasso dos planos ocidentais de destruir a Rússia por meio do conflito com a Ucrânia.
"Todos [nos EUA] acreditavam que iriam destruir e desmantelar a Rússia em pouco tempo. E os 'porcos' europeus juntaram-se imediatamente aos esforços da administração anterior dos EUA, na esperança de lucrar com o colapso do nosso país, recuperar o que foi perdido em períodos históricos anteriores e tentar vingança", disse o presidente.
Bombas para os bolsos
O presidente transpareceu ainda quais seria os objetivos dos ataques ucranianos aos petroleiros russos, enfatizando seu cálculo financeiro. "Isso é feito, entre outras coisas, por motivos utilitários. Na verdade, o objetivo é aumentar os prêmios dos seguros", explicou Putin.
As declarações se referem a incidentes ocorridos no final de novembro, quando os petroleiros Kairos e Virat, que se dirigiam ao porto russo de Novorossiysk sob bandeira gambiana, foram atacados por lanchas marítimas não tripuladas ucranianas.
Em sintonia com a Rússia
Respondendo à dúvida de uma criança intrigada com o volume de informações necessário para governar um país como a Rússia, o presidente esclareceu que esse tipo de evento é muito valioso para entender o estado de espírito da sociedade.
🇷🇺💬 Criança pergunta a Putin como ele sabe o que o povo precisaDurante a tradicional maratona de perguntas e respostas, Putin, explicou que, além de visitar os bairros de Moscou, esse tipo de evento é muito valioso para entender o estado de espírito da sociedade russa. pic.twitter.com/t83hZukv09
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O rapaz referencia uma declaração de Putin no início deste mês, quando afirmou ao Conselho para a Sociedade Civil e os Direitos Humanos que ocasionalmente realiza viagens sem escolta por Moscou. O presidente reiterou seu comentário anterior, avaliando que os trajetos também lhe permitem ter um contato direto com os problemas da cidade.



