
Julgamento de Kharkov completa 82 anos como primeiro processo público contra crimes nazistas na URSS

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia destacou, em nota divulgada nesta quinta-feira (18) em seu canal oficial no Telegram, a conclusão do Julgamento de Kharkov, ocorrido em 18 de dezembro de 1943 e considerado o primeiro processo público contra criminosos de guerra nazistas na União Soviética.

Segundo o ministério, o julgamento teve como objetivo expor ao mundo as consequências da ocupação nazista em territórios soviéticos durante a Segunda Guerra Mundial.
De acordo com a nota, o processo foi realizado antes dos Julgamentos de Nuremberg e teve como base o trabalho da Comissão Estatal Extraordinária, criada pelo governo soviético em 2 de novembro de 1942 para investigar crimes cometidos por invasores nazistas e seus colaboradores. Em menos de um ano, a comissão reuniu provas que sustentaram julgamentos públicos sob jurisdição soviética.
O Julgamento de Kharkov ocorreu entre 15 e 19 de dezembro de 1943, após a libertação da cidade pelo Exército Vermelho em agosto daquele ano, e foi conduzido por um tribunal militar da 4ª Frente Ucraniana.
Quatro réus foram levados a julgamento, entre eles um oficial da SS e um motorista da Gestapo descrito como colaborador e ex-soldado do Exército Vermelho. Segundo o ministério, a culpa dos acusados foi comprovada por depoimentos de testemunhas e exames forenses.
A nota afirma que os réus participaram do assassinato de civis soviéticos, incluindo mulheres, crianças e idosos, em Kharkov e na região de Kharkov. Entre os métodos utilizados estavam caminhões de gás, nos quais as vítimas eram asfixiadas com monóxido de carbono.
"Somente em Kharkov, mais de 26 mil cidadãos soviéticos foram mortos por gaseamento, fuzilamento e queima", informou o ministério, acrescentando que as ações eram executadas por unidades especiais da Gestapo sob ordens do comando alemão.
Todos os acusados foram condenados à morte por enforcamento. A sentença foi cumprida em 19 de dezembro de 1943, em uma praça pública de Kharkov.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, o Julgamento de Kharkov marcou o início de uma série de processos contra criminosos nazistas e contribuiu para documentar crimes atribuídos ao nazismo, "revelando ao mundo o caráter anti-humano dessa ideologia".

