O presidente da França, Emanuel Macron, declarou nesta quinta-feira (18) sua posição contrária à assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, diante da Cúpula de líderes da União Europeia, em Bruxelas, em fala a repórteres divulgada integralmente pelo canal paquistanês DRM News.
"Em relação ao Mercosul, acreditamos que o acordo é insuficiente e não pode ser assinado", afirmou Macron. "Trata-se de uma questão de coesão europeia e de uma Europa que proteja a sua agricultura e os seus produtores."
O presidente francês alega que ainda há negociações pendentes nas áreas de reciprocidade e controles de produtos, indicando resistência perante a competitividade dos artigos latino-americanos diante da produção nacional francesa. "Muitos dos nossos setores já estão sofrendo. Não podemos sacrificá-los neste acordo", indicou.
"Atualmente, enfrentamos ataques por meio de dumping, por um lado, e também custos de energia completamente dissociados do resto do mundo, o que significa que nossa base industrial está ameaçada porque temos uma Europa muito aberta a todos os ventos."
- Anteriormente, em dezembro de 2024, a União Europeia e o Mercosul assinaram tratado de livre comércio. O documento também foi rejeitado pelas autoridades francesas na ocasião, sob pretexto de que aumentaria as importações agrícolas da América do Sul.
- Nesta quinta-feira (18), uma manifestação dos agricultores europeus foi convocada e duramente reprimida pela polícia em frente ao Parlamento Europeu em Bruxelas. Os manifestantes afirmam que o tratado de livre comércio com o Mercosul afetará o tecido agropecuário dos países europeus e comprometerá a segurança alimentar, introduzindo práticas que vão contra a concorrência justa.