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Kremlin comenta as tensões entre EUA e Venezuela

Porta-voz do Kremlin afirma que país mantém contatos de alto nível com Caracas e alerta para riscos de desdobramentos imprevisíveis na região.
Kremlin comenta as tensões entre EUA e VenezuelaNataliy Zemboska / Sputnik

A Rússia observa o agravamento das tensões na Venezuela e pediu nesta quinta-feira (18) que todas as partes ajam com moderação para evitar desdobramentos imprevisíveis, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à imprensa local.

"Vemos uma tensão crescente na região. Consideramos que isso é potencialmente muito perigoso. A Venezuela é nossa aliada, nossa parceira, e mantemos contatos permanentes, inclusive, como sabem, no mais alto nível", declarou Peskov.

O porta-voz acrescentou que o presidente russo Vladimir Putin conversou recentemente por telefone com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. "E, claro, fazemos um apelo a todos os países da região para que atuem com moderação e evitem uma evolução imprevisível da situação", concluiu.

Agressões dos EUA

  • Escalada militar: Os Estados Unidos, em agosto, enviaram navios de guerra, um submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, alegando sua suposta disposição em combater o narcotráfico. Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, deixando dezenas de mortos.
  • Falsos pretextos: Washington acusou Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto cartel de drogas. As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
  • Infiltrações de inteligência: O presidente americano Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro perguntou, em resposta: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante [Hugo] Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou.
  • Postura venezuelana: Maduro afirma que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
  • Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, supostamente para combater o narcotráfico, que resultaram em mais de 60 mortos. Os bombardeios também foram criticados pelos governos de países como RússiaColômbiaMéxico e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao que consagra o direito internacional.