Nicolás Maduro defendeu nesta quarta-feira a união entre Venezuela e Colômbia para proteger a soberania dos dois países, em um discurso no qual voltou a criticar as agressões dos Estados Unidos contra a Venezuela, informou a Telesur.
"Existe uma máxima dos impérios, ao longo dos séculos: 'dividir para conquistar'. E quanto não fizeram para nos dividir, Venezuela e Colômbia? Todos os dias. A maior garantia que temos de paz, estabilidade e respeito no mundo é a união", declarou.
Maduro lembrou ainda que nesta data se completam 206 anos da aprovação da Lei Fundamental da República da Colômbia, que, segundo ele, "se declarou uma república em armas e garantiu a liberdade plena da América do Sul".
"Faço meu chamado, reafirmado com o amor profundo de um grã-colombiano que me sinto, ao povo simples da Colômbia, aos movimentos sociais, às forças políticas e aos militares colombianos, que conheço muito bem", disse. "Convoco todos à união perfeita com a Venezuela, para que ninguém ouse tocar a soberania de nossos países e para cumprir o legado de Simón Bolívar: união permanente e felicidade compartilhada", concluiu.
Agressões dos EUA
- Escalada militar: Os Estados Unidos, em agosto, enviaram navios de guerra, um submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, alegando sua suposta disposição em combater o narcotráfico. Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, deixando dezenas de mortos.
- Falsos pretextos: Washington acusou Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto cartel de drogas. As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- Infiltrações de inteligência: O presidente americano Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro perguntou, em resposta: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante [Hugo] Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou.
- Postura venezuelana: Maduro afirma que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
- Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, supostamente para combater o narcotráfico, que resultaram em mais de 60 mortos. Os bombardeios também foram criticados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao que consagra o direito internacional.