União Europeia eleva retórica de guerra híbrida e pressiona por militarização do bloco

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu aumento de gastos militares e endureceu o discurso contra Moscou.

Em discurso nesta quarta-feira (17), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu uma aceleração da agenda de defesa da União Europeia (UE), com foco na ampliação de capacidades militares e maior autonomia estratégica.

Ao tratar de defesa, von der Leyen afirmou que a Europa "deve ser responsável por sua própria segurança" e que isso "não é mais uma opção, é uma obrigação". Segundo ela, o bloco precisa "desenvolver e implantar novas capacidades para lutar uma guerra híbrida moderna", defendendo investimentos acelerados e a transformação da base industrial de defesa europeia em um sistema voltado à produção em larga escala "no caldeirão da guerra".

Na sequência, a dirigente europeia direcionou duras críticas à Rússia, classificando o cenário internacional como "um mundo de guerras" e de "predadores", e citou o conflito ucraniano como uma espécie de marco de ruptura. Von der Leyen também declarou que a União Europeia vive seu "momento de independência", associando a agenda de defesa, energia e economia a uma suposta libertação da "influência russa".

"E conquistamos nossa independência da Rússia. Isso não é coincidência. É fruto de muito trabalho conjunto. E esse trabalho árduo foi impulsionado por aquilo que nos torna europeus: nosso senso de propósito, nossa união, nossa vontade política", firmou.

Nesse contexto, a política defendeu o aumento do apoio financeiro e militar à Ucrânia. Para ela, "não há ato mais importante da defesa europeia do que apoiar a defesa da Ucrânia", argumentando que elevar os custos do cofnlito para Moscou seria parte central da estratégia adotada por Bruxelas.

Ursula 'impede a paz'

Também nesta quarta-feira, Marine Le Pen, que integra a Assembleia Nacional Constituinte da França, criticou duramente a postura da Comissão Europeia e acusou von der Leyen de "fazer tudo ao seu alcance para impedir a paz".

Segundo Le Pen, o conflito na Ucrânia estaria sendo usado como "mais um pretexto para a União Europeia expandir seus poderes", repetindo o que, segundo ela, já ocorreu durante a crise migratória e a pandemia de Covid-19.

Em conversa com jornalistas, a dirigente afirmou também que a UE avança sobre competências nacionais em defesa e finanças, alertando para o risco de criação de um "governo financeiro europeu" que retiraria dos Estados o controle sobre impostos, "uma prerrogativa da soberania absoluta".

Rússia não tem intenção de atacar a Europa

Em resposta às declarações cada vez mais militaristas da Europa e no contexto do debate sobre o plano para pôr fim ao conflito militar na Ucrânia, o presidente da Rússia, Vladimir Putinafirmou em 27 de novembro que a Rússia nunca teve a intenção de atacar a Europa, acrescentando que Moscou está preparada para reafirmar esse compromisso "por escrito".

"Uma coisa é dizer em termos gerais que a Rússia não tem intenção de atacar a Europa. Isso soa ridículo para nós. Nunca foi nossa intenção, mas se eles querem ouvir isso de nós, estamos prontos para colocar por escrito", declarou.

O presidente russo mencionou que os líderes europeus estão tentando convencer seus cidadãos de que Moscou representa uma ameaça e que precisam fortalecer suas capacidades de defesa. "Do nosso ponto de vista, isso é um completo absurdo e uma mentira", enfatizou.