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Amorim destaca experiência do Brasil na mediação de conflitos e adverte: 'sem paz não há desenvolvimento'

Em workshop do BRICS sobre mediação de conflitos, o embaixador defendeu a autonomia do Sul Global na resolução de crises.
Amorim destaca experiência do Brasil na mediação de conflitos e adverte: 'sem paz não há desenvolvimento'Divulgação/Itamaraty

O assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, reforçou a importância estratégica do Sul Global na promoção da estabilidade internacional durante um workshop de mediação de conflitos promovido pela presidência brasileira do BRICS, realizado nesta terça e quarta-feira (16 e 17/12) no Palácio do Itamaraty. Segundo Amorim, a busca pela paz é a base fundamental para o crescimento econômico e social.

"A paz é indispensável ao desenvolvimento", afirmou Amorim, invertendo a famosa máxima do Papa Paulo VI para ressaltar que, com guerras, não há prosperidade possível.

"Promover a paz é o objetivo mais nobre da diplomacia. Em 1967, o Papa Paulo VI disse famosamente que o desenvolvimento é o novo nome da paz. O inverso também é verdadeiro. A paz é indispensável ao desenvolvimento", destacou o embaixador brasileiro na ocasião. 

Segundo o diplomata, o objetivo da iniciativa foi valorizar os conhecimentos e as lições aprendidas por nações fora do eixo ocidental, provando que o Sul Global possui expertise técnica e política para mediar crises sem depender exclusivamente das capitais tradicionais da diplomacia.

O exemplo brasileiro e a cooperação internacional

Para ilustrar a capacidade mediadora do Brasil, Amorim relembrou a atuação decisiva do país em 2010, sob o governo do presidente Lula, nas negociações sobre o programa nuclear do Irã. A Declaração de Teerã, assinada em conjunto com a Turquia, foi citada como um marco da diplomacia brasileira na redução de tensões globais.

 O evento também contou com a participação de países convidados, como Turquia e Catar, reconhecidos por suas experiências em mediação, e ressaltou o papel histórico da África do Sul na transição democrática pós-Apartheid.

Para o embaixador, encerrar o ciclo da presidência brasileira com uma discussão sobre a paz é altamente simbólico. Embora o bloco tenha avançado em temas como inteligência artificial e energias renováveis, Amorim concluiu que a capacidade de dialogar e resolver conflitos permanece como a missão mais nobre e essencial para o futuro dos países membros.