Glenn Greenwald denuncia como ilegais as agressões de Trump contra Venezuela

O jornalista afirmou que ameaças como bloqueio naval e bombardeios violam a Constituição dos EUA, contradizem promessas eleitorais de não intervenção e atendem a pressões políticas internas.

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald usou as redes sociais para denunciar que a atual retórica dos Estados Unidos de confrontar a Venezuela rompe com as promessas feitas pelo presidente do país, Donald Trump, na campanha de 2024.

"Bloquear a Venezuela e mudar seu governo nunca sequer foi mencionado por Trump em 2024", escreveu.

Na publicação, Greenwald recordou que o então candidato havia prometido exatamente o oposto: "Não travar guerras de mudança de regime".

Atos inconstitucionais

O jornalista destacou que propostas como bombardear embarcações e impor um bloqueio naval não são medidas simbólicas, mas atos de guerra.

"Obviamente, bombardear embarcações e impor um bloqueio naval são declarações de guerra", afirmou, destacando que esse poder "a Constituição atribui exclusivamente ao Congresso".

O jornalista apontou ainda a influência do secretário de Estado, Marco Rubio, e de setores da comunidade cubana dos EUA. Ele afirmou tratar-se de um projeto antigo: "há muito desejam usar os EUA para tomar a Venezuela e depois Cuba".

Em sua avaliação, o discurso intervencionista atende mais à política interna dos EUA e à construção de uma imagem do que ao respeito ao direito internacional.

Ao ironizar que "a legalidade é entediante", Greenwald sugere que a Venezuela volta a ser alvo não por ameaça real, mas como peça de disputas ideológicas em Washington, com riscos evidentes de escalada militar e instabilidade regional.

Agressões dos EUA 

Escalada militar: em agosto, os Estados Unidos enviaram navios de guerra, submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, sob o pretexto de "combater o narcotráfico". Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, matando dezenas de pessoas.

Falsos pretextos: Washington acusou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto "cartel de drogas". As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.

Infiltrações de inteligência: Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro indagou: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.

Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türkcondenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, sob alegações de "combate ao narcotráfico", que resultaram em mais de 60 mortos. Os bombardeios também foram condenados pelos governos de países como RússiaColômbiaMéxico e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao direito internacional.