O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva voltou a manifestar, nesta quarta-feira (17), sua insatisfação com o impasse na União Europeia sobre o acordo entre o bloco e o Mercosul.
"Eu vou para Foz do Iguaçu na expectativa de que eles digam sim, e não digam não. Mas, também, se [a União Europeia] disser não, nós vamos ser duros daqui para frente com eles, porque nós cedemos a tudo que era possível a diplomacia ceder", afirmou o presidente durante reunião ministerial em Brasília, conforme citado pelo portal g1.
No dia anterior, o Parlamento Europeu aprovou barreiras comerciais para importações sul-americanas no âmbito das negociações, em uma tentativa de conquistar o apoio dos governos da França e da Itália e selar o acordo no dia 20 de dezembro, como originalmente previsto.
Também na terça-feira (16), Lula manifestou sua esperança de que o acordo fosse assinado no dia 20, data da próxima Cúpula dos Líderes do Mercosul, na cidade paranaense de Foz do Iguaçu:
''Nós estamos cedendo mais do que eles. (...) Eu espero que meu amigo Macron [presidente da França] e a primeira-ministra Meloni tragam a boa notícia de que vão assinar o acordo'', afirmou o presidente na ocasião.
Acordo perigoso?
Ao analisar o potencial acordo, especialistas ponderam sobre os eventuais efeitos adversos em setores vulneráveis à concorrência europeia, conforme apontou o artigo de Eliane Oliveira, para jornal O Globo.
Já Paulo Nogueira Batista Jr, ex-vice-presidente do Banco dos BRICS, aponta que os acordos com países europeus são pautados por uma lógica que cai cada vez mais em desuso, e que devem ser celebrados somente por ''setores liberais e seus porta-vozes na mídia tradicional''.
''O neoliberalismo foi abandonado nesse meio tempo em quase toda parte, inclusive nos Estados Unidos e na Europa. Encontrou, porém, uma sobrevida entre nós'', advertiu, em artigo publicado no portal Brasil de Fato.
Para Paulo, que chama a atenção para cláusulas relativas aos minerais críticos, o Brasil deveria buscar uma abordagem semelhante à da China: ''Apesar da competitividade de suas exportações e do extraordinário perfil tecnológico do seu parque industrial, o país não liberaliza seu mercado de compras públicas''.