A presidente do México, Claudia Sheinbaum, convocou nesta quarta-feira (17) a Organização das Nações Unidas (ONU) a agir diante das agressões do presidente dos EUA, Donald Trump, contra a Venezuela.
"[Faço] um chamado às Nações Unidas para que assumam seu papel. Não se tem visto isso. Que assumam seu papel para evitar qualquer derramamento de sangue e para que se busque sempre a solução pacífica dos conflitos", afirmou a mandatária em coletiva de imprensa.
Entenda:
Na terça-feira (16), Trump designou o Governo venezuelano como uma "organização terrorista estrangeira" e ordenou um bloqueio militar no Caribe para impedir a passagem de navios petroleiros do país sul-americano.
"A Venezuela está completamente cercada pela maior armada já reunida na história da América do Sul. Isso só vai crescer, e o choque para eles será como nunca viram antes, até que devolvam aos EUA todo o petróleo, as terras e outros ativos que nos roubaram anteriormente", ameaçou o presidente dos EUA, em meio ao aumento das tensões entre os dois países.
"Diante da declaração de ontem do presidente Trump e da situação da Venezuela, reiteramos a posição do México, de acordo com a Constituição, de não intervenção, não ingerência estrangeira, autodeterminação dos povos e solução pacífica das controvérsias", reagiu Sheinbaum.
Ela também insistiu que, diante de qualquer conflito internacional, deve-se recorrer ao diálogo e à paz. "Essa deve ser sempre a posição de qualquer presidente do México, independentemente das opiniões sobre o regime da Venezuela ou sobre a presidência de [Nicolás] Maduro", afirmou.
A presidente não descartou a possibilidade de buscar coordenação com seus homólogos do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Colômbia, Gustavo Petro, além de outros países da América Latina, para garantir a paz e a soberania na região, conforme estabelecem os tratados internacionais e a própria Carta das Nações Unidas.
"É importante que possamos ser um ponto de negociação ou de encontro, se assim as partes considerarem. Caso contrário, buscar mediadores que evitem qualquer conflito", concluiu.
Agressões dos EUA
- Escalada militar: Os Estados Unidos, em agosto, enviaram navios de guerra, um submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, alegando sua suposta disposição em combater o narcotráfico. Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, deixando dezenas de mortos.
- Falsos pretextos: Washington acusou Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto cartel de drogas. As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- Infiltrações de inteligência: O presidente americano Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro perguntou, em resposta: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante [Hugo] Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou.
- Postura venezuelana: Maduro afirma que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
- Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, supostamente para combater o narcotráfico, que resultaram em mais de 60 mortos. Os bombardeios também foram criticados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao que consagra o direito internacional.