
Indústria alemã vive pior crise desde o pós-guerra, diz principal entidade do setor do país

O presidente da Federação da Indústria Alemã (BDI), Peter Leibinger, afirmou ao jornal Süddeutsche Zeitung, em entrevista publicada na segunda-feira (15), que a Alemanha vive a pior crise econômica desde o pós-guerra.

Segundo ele, o país registra queda contínua da produção industrial, baixo crescimento da produtividade e desempenho inferior ao de outras grandes economias.
Leibinger afirmou que, no início do governo de Friedrich Merz, em maio, a situação já era crítica, embora ainda houvesse alguma esperança no setor produtivo.
"Agora os problemas persistem, mas muitos empresários estão mais decepcionados do que nunca. O clima é extremamente negativo, em alguns casos francamente agressivo", disse, destacando a frustração crescente entre empresários.
O dirigente citou fatores estruturais que reduzem a competitividade da indústria alemã, como altos custos de energia, aumento das despesas operacionais, crescimento dos salários e excesso de burocracia. Segundo o mais recente relatório da BDI, a entidade projeta uma queda de cerca de 2% na produção industrial, revisão significativa frente à estimativa anterior de retração de 0,5%.
- O distanciamento energético com a Rússia elevou drasticamente os custos de gás e eletricidade na Alemanha, atingindo em cheio setores industriais intensivos.
- A deterioração das relações com Moscou reduziu mercados, encareceu insumos e expôs limites da reorientação econômica alemã, acelerando desindustrialização, perda de produtividade e o pessimismo empresarial.
