O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, afirmou que espera conversar em breve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as tensões envolvendo a Venezuela. Ele mencionou o inédito deslocamento militar de Washington no Caribe — classificado por Caracas como uma agressão — e os ataques a supostas narcolanchas no Caribe e no Pacífico.
"Por enquanto não está acontecendo nada, mas vejo o interesse dos Estados Unidos pela Venezuela", afirmou o presidente bielorrusso em entrevista ao canal americano Newsmax TV no último fim de semana. Além disso, disse compreender em grande parte a postura de Trump.
"Entendo Trump em muitos aspectos, porque a Venezuela está próxima, assim como a Ucrânia está próxima da Rússia", disse Lukashenko. Porém, segundo o líder bielorrusso, todas as pretensões dos Estados Unidos em relação à Venezuela podem ser resolvidas hoje "totalmente de forma pacífica".
Nesse contexto, afirmou que confia poder tratar do tema com Trump em breve e acrescentou que tem "muitas coisas interessantes" para lhe dizer.
Lukashenko advertiu que "a guerra não levará a nada" e lembrou que "ontem disse isso ao [enviado de Trump] John Cole: seria um segundo Vietnã". "Eles precisam disso? Não, não precisam. Por isso, não é necessário lutar lá, porque é possível chegar a um acordo", enfatizou o presidente do país eslavo.
Agressões dos EUA
- Escalada militar: Os Estados Unidos, em agosto, enviaram navios de guerra, um submarino, caças e tropas para a costa da Venezuela, alegando sua suposta disposição em combater o narcotráfico. Desde então, foram realizados vários bombardeios a supostas lanchas com drogas no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, deixando dezenas de mortos.
- Falsos pretextos: Washington acusou Maduro, sem provas ou fundamentação, de liderar um suposto cartel de drogas. As mesmas acusações infundadas foram feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que condenou os ataques mortais contra embarcações nas águas da região.
- Infiltrações de inteligência: O presidente americano Donald Trump admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano, em meados de outubro. Maduro perguntou, em resposta: "Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante [Hugo] Chávez e contra mim há 26 anos?", perguntou ele.
- Postura venezuelana: Maduro afirma que o verdadeiro objetivo dos EUA é uma "mudança de regime" para se apoderar da imensa riqueza de petróleo e gás da Venezuela.
- Condenação internacional: O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, condenou os bombardeios realizados pelos EUA contra pequenas embarcações, supostamente para combater o narcotráfico, que resultaram em mais de 60 mortos. Os bombardeios também foram criticados pelos governos de países como Rússia, Colômbia, México e Brasil. Peritos da ONU afirmaram que as ações americanas se tratam de "execuções sumárias", em violação ao que consagra o direito internacional.