
Repensar a vida: mulher abandona escritório para atravessar o continente a pé e sozinha

Abandonar o emprego e escapar para a natureza remota pode ser um deboche comum entre grande parte dos trabalhadores de cargos corporativos. A canadense Jessica Guo fez desse escárnio um plano.

Durante 152 dias, ela caminhou sozinha por uma rota de aproximadamente 5.700 quilômetros ao longo das Montanhas Rochosas, uma cordilheira na América do Norte, atravessando desde o sul dos Estados Unidos até o Canadá.
"Foi uma experiência realmente marcante para mim. Foi a primeira vez que passei um período prolongado ao ar livre", revelou Guo, citada pelo veículo de imprensa chinês SCMP.
Às montanhas
Guo, canadense e filha de imigrantes chineses, trabalhava como consultora na empresa PricewaterhouseCoopers (PwC), mas considerava a vida no escritório muito monótona e sentia falta da natureza.
A canadense foi reconhecida como a primeira mulher a completar integralmente a rota. Ao longo da travessia, ela chegava a percorrer 50 quilômetros por dia, mantendo uma ingestão diária de até 4 mil calorias e garantindo um suprimento constante de energia.
Ela atravessou as altas montanhas do Colorado, os vales varridos pelos ventos de Wyoming, as remotas regiões fronteiriças de Idaho e Montana, culminando nos acidentados territórios das províncias canadenses de Alberta e Colúmbia Britânica.
Durante seu caminho, Guo ultrapassou vários obstáculos, incluindo um encontro aterrorizante com um puma que a perseguiu por duas horas durante a noite. Ela conseguiu sobreviver falando de forma direta e agressiva com o animal, por cerca de duas horas, enquanto se afastava mantendo o contato visual, até que finalmente o animal recuasse.
Da escapada à rotina
Após sua façanha, Guo percebeu que sua vida carecia da força e clareza que sentiu durante a trilha. "Na trilha, você libera endorfinas diariamente: caminhar o dia todo na natureza, respirar ar puro, é a forma mais humana de se movimentar. Você caminha com propósito. Voltar à 'vida normal' parecia sem graça", confessou.
Agora, ela planeja trabalhar como consultora independente, combinando o ofício com treinamento em trilhas e criação de conteúdo para redes sociais, em um perfil que já convoca dezenas de milhares de seguidores.
"A autenticidade, a crueza, a vulnerabilidade – foi isso que as pessoas disseram que realmente as atraiu para a minha história".

