PIX da fé: pastor 'profetiza' morte de filha de fiel e pede dinheiro para evitar

A justiça do DF condenou Marcos Túlio Galdino a indenizar a vítima após pedidos feitos em cultos e conversas privadas, considerados exploração da crença para obtenção de vantagem financeira.

O pastor Marcos Túlio Galdino, 38, foi condenado pela Justiça do Distrito Federal a pagar R$ 4 mil por danos morais e materiais a uma fiel vítima de estelionato espiritual, informou o portal Metrópoles nesta segunda-feira (15).

A denúncia aponta que o líder evangélico pediu dinheiro à vítima durante cultos e conversas privadas, usando pressões de cunho religioso.

Segundo a mulher, o pastor solicitou inicialmente R$ 777, alegando que o valor teria sido determinado por "Deus" para um propósito espiritual. A fiel disse ter entendido o valor de forma equivocada e completou o pagamento com uma segunda transferência de R$ 500.

As solicitações continuaram dias depois. Em 29 de março de 2025, o pastor teria dito ter tido uma "visão" em que a filha da vítima estaria sendo enterrada na segunda-feira seguinte. Para evitar a tragédia, afirmou ser necessário fazer um novo "voto financeiro". Pressionada, a mulher realizou mais duas transferências, somando R$ 930.

Após perceber que havia sido enganada, a fiel pediu a devolução do dinheiro, o que não ocorreu. Segundo a reportagem, outra pessoa teria sofrido um golpe no mesmo valor de R$ 777.

Condenado

A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais afirmou que Marcos Túlio se valeu da fé da vítima para obter vantagem financeira e elevou a indenização fixada em primeira instância. Para o colegiado, a conduta atingiu não apenas o patrimônio da autora, mas também sua honra e integridade emocional.

Com base nesse entendimento, a Turma aumentou a indenização por danos morais para R$ 4 mil e manteve a determinação de devolução dos R$ 930.

Pastor nega golpe

O pastor disse ao Metrópoles que os pedidos de dinheiro foram "desafios de fé voluntários" e negou ter exercido pressão psicológica ou tido intenção de reter valores. Afirmou ainda que pretende regularizar a devolução e que essa seria a segunda acusação de golpe em 17 anos de ministério.

"Se ela pedisse mais e tivesse condição, eu daria porque a minha intenção é fazer ela entender que o reino de Deus não está tomando nada dela, é a fé dela que faz a situação dela melhorar ou fluir", disse o pastor.