
'Não vamos entrar em guerra com Europa, mas responderemos a qualquer ato hostil', afirma Lavrov

A Rússia não vai guerrear contra a Europa, mas responderá a qualquer medida hostil, incluindo o envio de contingentes militares europeus para a Ucrânia e a expropriação de ativos russos congelados, afirmou nesta quarta-feira (10) o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, durante um discurso no Conselho da Federação (Câmara Alta do Parlamento da Rússia) sobre questões atuais da política externa do país.

"Como o Presidente [Vladimir Putin] da Rússia tem repetidamente enfatizado, não temos intenção de entrar em guerra com a Europa, e tal pensamento nunca nos ocorreu. No entanto, responderemos a quaisquer ações hostis, incluindo o envio de contingentes militares europeus para a Ucrânia e o confisco de bens russos, e já estamos preparados para isso", enfatizou o Ministro das Relações Exteriores.
"Europa está a atrasar artificialmente o processo de paz"
Ele enfatizou que, "tendo investido todo o seu capital político, seja ele qual for, na guerra contra a Rússia usando as mãos e os corpos de cidadãos ucranianos", a Europa "continua, numa cegueira política desesperançosa, a consolar-se com a ilusão de algum tipo de vitória" sobre a Rússia.
Ao mesmo tempo, chanceler russo denuncia que vários países europeus estão sabotando o processo de paz, e incitando o chefe do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, a continuar o conflito.
"A Europa está a atrasar artificialmente este processo, tentando de todas as formas incitar o chamado líder ucraniano e os membros do seu regime a continuarem a luta até ao último ucraniano. No entanto, não há dinheiro suficiente", afirmou.
Lavrov, no entanto, destacou que o Ocidente não tem um posição monolítica com relação à questão ucraniana: "O Ocidente não está unido, e isso se confirma mais uma vez pelos eventos dos últimos dias, quando o presidente Trump, em uma de suas entrevistas, criticou duramente as ações da Europa para atrasar artificialmente acordos que poderiam muito bem ter sido alcançados sobre uma solução para a Ucrânia, que garantiria a eliminação das causas fundamentais que são o principal obstáculo nesse caminho", explicou ele.
