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Europa reage à nova estratégia de segurança dos Estados Unidos

Documento divulgado pela Casa Branca citou "desaparição da civilização" europeia.
Europa reage à nova estratégia de segurança dos Estados UnidosGettyimages.ru / Jonathan Raa/NurPhoto

A União Europeia não pode aceitar a "ameaça de interferência" dos EUA em sua vida política, afirmou nesta segunda-feira (8) o presidente do Conselho Europeu, António Costa, reagindo à recente atualização da Estratégia de Segurança Nacional de Washington.

"Não podemos aceitar essa ameaça de ingerência na vida política da Europa", declarou Costa durante discurso no Instituto Jacques Delors, acrescentando que os EUA "não podem substituir os cidadãos europeus na hora de decidir quais partidos são bons e ruins".

Para Costa, embora existam diferenças na visão de mundo entre Washington e Bruxelas, o novo posicionamento norte-americano ultrapassa os limites da "soberania de cada um". "Os EUA continuam sendo um aliado importante, continuam sendo um parceiro econômico relevante, mas a nossa Europa precisa ser soberana", concluiu.

Atrito entre Europa e EUA

O documento divulgado pela Casa Branca continha duras críticas aos aliados europeus, chegando a afirmar que esses países estariam diante da "desaparição de sua civilização".

Um funcionário de alto escalão da UE descreveu ao jornal Politico que os apontamentos feitos pela Casa Branca foram recebidos como "muito perturbadores", e manifestou incômodo com a linguagem utilizada.

Apesar do descontentamento, o veículo sugere que não há margem para uma resposta dura por parte da Europa. O mesmo funcionário reconheceu que a influência política de Donald Trump permanece grande, reduzindo a capacidade de reação dos líderes europeus.

"Trump é poderoso demais para que os países europeus façam algo além de protestos diplomáticos simbólicos", resume a mídia, prevendo que, diante desse cenário, a maior parte das reações deve ficar restrita ao campo dos gestos diplomáticos, sem impacto real na relação com Washington.